O sofrimento masculino é um dos fatores que impulsionam a ‘machosfera’, mas não pode ser usado como justificativa para a misoginia. Essa é a posição de Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil.
Palayret afirma que a rede promete uma cura, mas resulta em isolamento, rigidez e hostilidade. A ‘machosfera’ é composta por grupos e páginas que discutem masculinidade, frequentemente com viés misógino e violento.
Recentemente, a trend ‘caso ela diga não’, que incita violência contra mulheres, gerou mobilização e está sob investigação da Polícia Federal.
Em entrevista, Palayret defendeu a criação de espaços onde meninos possam compartilhar suas inseguranças sem serem alvos de discursos de ódio. Ela destacou que iniciativas que oferecem suporte real, como redes de pertencimento e educação emocional, são mais eficazes.
““Quando a gente melhora a vida dos meninos e dos homens, também melhora a segurança e a liberdade das mulheres, é um ganho coletivo”, disse Palayret.”
Palayret, que é advogada e assumiu a ONU Mulheres no Brasil em janeiro de 2026, ressaltou a necessidade de cooperação entre governo, empresas e sociedade civil para combater conteúdos violentos contra mulheres nas redes sociais.
Ela mencionou a dificuldade em regular perfis que promovem esse tipo de conteúdo, citando a facilidade de criação de novas páginas e os interesses financeiros das grandes plataformas. “Este tipo de conteúdo mais violento, extremo, elas sabem que atrai muitas pessoas, e muitos jovens, desafortunadamente”, afirmou.
Entre as medidas sugeridas para reduzir a misoginia no ambiente digital estão o fortalecimento de marcos contra a violência digital, a cobrança por transparência das plataformas e a educação digital para jovens.
Palayret também está discutindo com o governo a adaptação da Lei Modelo Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Digital de Gênero contra as Mulheres, lançada em dezembro de 2025 pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
O Brasil registrou um recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres mortas por esse tipo de crime, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.


