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Chef do Noma é denunciado por agressões e humilhações a funcionários

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O chef dinamarquês René Redzepi, à frente do renomado restaurante Noma, é alvo de denúncias de agressões e humilhações por ex-funcionários. As acusações vieram à tona em uma reportagem do jornal ‘The New York Times’, que ouviu cerca de 35 ex-colaboradores que trabalharam no local entre 2009 e 2017.

Os relatos incluem agressões físicas, como empurrões e tapas, além de constrangimentos públicos. Um ex-trabalhador afirmou: “Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”.

Além da violência, os ex-funcionários relataram jornadas de trabalho excessivas, muitas vezes ultrapassando 12 ou 16 horas diárias. A maioria da equipe era composta por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração.

As denúncias tiveram repercussão imediata, resultando na desistência de dois patrocinadores de um evento de jantares pop-up que o Noma realizaria em Los Angeles. A American Express e a startup Blackbird retiraram seu apoio ao evento, que tinha ingressos a US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil) por pessoa.

Ben Leventhal, fundador da Blackbird, comentou: “As práticas passadas de René, segundo ele próprio admitiu, eram inaceitáveis e abomináveis”. A American Express também anunciou que os recursos do evento serão redirecionados para iniciativas em apoio aos trabalhadores do setor de hospitalidade.

O Noma, localizado em Copenhague, é considerado um dos restaurantes mais influentes da gastronomia contemporânea, acumulando três estrelas Michelin e sendo eleito cinco vezes o melhor do mundo pela lista The World’s 50 Best Restaurants. No entanto, os relatos de abusos revelam um ambiente de trabalho marcado por pressão extrema e agressividade.

As acusações ganharam visibilidade após Jason Ignacio White, um ex-funcionário, compartilhar relatos nas redes sociais. Organizações de defesa dos trabalhadores, como o grupo One Fair Wage, também começaram a pressionar o restaurante, anunciando um protesto em frente ao local temporário do Noma.

O Noma não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre as denúncias, mas uma porta-voz afirmou que a empresa implementou mudanças internas nos últimos anos, incluindo a criação de estruturas formais de recursos humanos e maior flexibilidade nos horários de trabalho.

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