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Recuo no preço do petróleo alivia pressão sobre a Petrobras, mas defasagem persiste

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O recuo no preço do petróleo, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxe alívio momentâneo à Petrobras. Na terça-feira (10), os contratos futuros do Brent, referência internacional, fecharam em queda de 11,28%, a US$ 87,80 o barril. O petróleo WTI, referência no mercado norte-americano, caiu 11,94%, a US$ 83,45 o barril.

A avaliação de analistas é que essa queda ajuda a Petrobras a evitar reajustes nos combustíveis, como diesel e gasolina. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmou:

““Após a disparada do Brent acima de US$ 100 com a escalada geopolítica, a queda ao longo do dia diminuiu o prêmio de risco incorporado nos preços e, consequentemente, a urgência de repasse para diesel e gasolina no Brasil.””

No entanto, a Petrobras enfrenta pressão devido à defasagem dos preços internos em relação aos internacionais, especialmente no diesel. Dados da Abicom indicam que a defasagem média do diesel chegou a R$ 1,78, enquanto a da gasolina foi de R$ 0,82. Sergio Araújo, presidente da Abicom, destacou que a baixa contratação de carga na última semana é uma preocupação. Ele alertou que, se os preços do petróleo não se estabilizarem ou se a Petrobras não ajustar os preços, os efeitos poderão ser sentidos em até vinte dias.

Jucelia Lisboa, economista da Siegen Consultoria, comentou que a queda pontual do petróleo pode aliviar a pressão imediata, mas não elimina os riscos estruturais trazidos pela guerra.

““Teremos que aguardar os próximos fatos para mensurar o real impacto,””

afirmou.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também se manifestou sobre a dificuldade de manter os preços internos controlados. Em entrevista à TV Brasil, ele disse:

““São preços estabelecidos em geopolítica. Embora a gente seja exportador de petróleo bruto, a gente importa derivado.””

A Petrobras, por sua vez, reafirmou sua política de preços para evitar repasses de volatilidades externas ao consumidor. Em nota, a estatal afirmou:

““Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil.””

A empresa destacou que sua estratégia comercial considera as melhores condições de refino e logística, permitindo períodos de estabilidade nos preços e proteção da rentabilidade.

““Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro, garantindo maior previsibilidade e segurança, protegendo nossos clientes de oscilações abruptas que se originam fora do país,””

concluiu a petroleira.

Enquanto isso, o governo formou uma equipe no Ministério de Minas e Energia para monitorar a situação do petróleo após a intensificação da guerra no Oriente Médio.

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