A Polícia Federal (PF) realizou uma varredura em celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A análise das mensagens motivou o ministro do STF André Mendonça a determinar sua transferência para a Penitenciária Federal de Brasília.
Segundo Mendonça, os dados extraídos do celular indicaram ameaças, corrupção e tentativas de interferência em decisões regulatórias. Para explicar o funcionamento da ferramenta utilizada, o programa Fantástico entrevistou Marcos Monteiro, presidente da Associação dos Peritos em Computação Forense.
Monteiro detalhou que o sistema foi desenvolvido a partir de software livre, permitindo que profissionais de diversas áreas contribuíssem com melhorias. Atualmente, a ferramenta é utilizada por peritos, advogados, integrantes do Ministério Público e polícias de outros países.
O software transforma imagens em texto, funcionando de maneira semelhante aos fotossensores de trânsito. Ele extrai textos de fotos, capturas de tela, PDFs, recibos e documentos digitalizados, organizando tudo de forma pesquisável. Por exemplo, ao buscar o termo “CPF”, o sistema encontra qualquer sequência que se encaixe no padrão numérico, mesmo que esteja oculta em uma imagem.
Outro aspecto importante é a capacidade de recuperar mensagens apagadas. Durante a simulação, um banco de dados com 1.528 mensagens foi filtrado, revelando 531 registros excluídos. O programa permite buscar termos específicos e localizar conversas arquivadas, áudios e itens deletados, preservando metadados como autor, data e hora.
A ferramenta também cria um mapa de conexões entre os usuários, mostrando quem conversou com quem e a frequência de contatos. “Isso ajuda e acelera muito a investigação”, afirmou Monteiro.
No caso de Vorcaro, a PF apreendeu um total de oito celulares, sendo três na operação mais recente. Até o momento, apenas as mensagens de um aparelho apreendido na primeira prisão em novembro foram divulgadas, revelando uma rotina de comunicações e encontros com autoridades dos três poderes.


