Cerca de 150 mil tartarugas-da-Amazônia estão nascendo nas praias do Baixo Rio Branco, em Roraima, até o final de março. O número é considerado um recorde para o estado e os ovos são monitorados pelo Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Os filhotes foram catalogados em mais de 800 ninhos, conhecidos como “tabuleiros” pelos pesquisadores. O PQA, criado há 35 anos, visa proteger as espécies de quelônios em risco de extinção na Amazônia brasileira. A tartaruga-da-Amazônia, que pode atingir 1 metro de comprimento e pesar até 65 kg, é o maior quelônio que vive fora da água salgada e pode viver até 100 anos.
O projeto atua em uma região com 16 comunidades ribeirinhas, onde o acesso é feito por horas navegando pelo rio. A iniciativa combate predadores e o tráfico de tartarugas, uma das principais ameaças à espécie. Os ovos são colocados nos ninhos e se desenvolvem sem a presença das tartarugas. Cada fêmea coloca entre 90 a 150 ovos por ninho, e os filhotes, ao nascerem, seguem sozinhos para a água, tornando-se presas fáceis.
Na sexta-feira (6), o PQA soltou filhotes de tartaruga-da-Amazônia com a participação de alunos da escola municipal Oscar Batista Dos Santos, da comunidade ribeirinha de Sacaí. Para chegar ao local, foram necessárias 9 horas de barco saindo de Caracaraí. Rui Bastos, coordenador do PQA em Roraima, explicou que o manejo é essencial para aumentar a taxa de sobrevivência dos filhotes, que, sem intervenção, teriam apenas 30 a 40% de chance de chegar ao rio.
Os ovos monitorados foram colocados entre setembro e dezembro de 2025, principalmente na ilha Maú. O número total de filhotes ainda não foi fechado, pois continuam nascendo. O total de ovos é quase 100 mil a mais do que no ciclo 2023-2024, que registrou mais de 57 mil ovos, e supera o recorde anterior de 2024-2025, que foi de mais de 104 mil.
A tartaruga-da-Amazônia já esteve ameaçada de extinção devido à caça e ao tráfico ilegal. O analista ambiental do Ibama, Júlio Domingues, destacou que o projeto foi crucial para a recuperação da população da espécie. Embora ainda considerada vulnerável, a tartaruga não está mais na situação crítica do passado.
Além de seu valor cultural, a tartaruga-da-Amazônia desempenha um papel importante no ecossistema dos rios, alimentando-se de plantas aquáticas e ajudando na dinâmica ambiental. O projeto também promove educação ambiental, envolvendo crianças e adolescentes nas atividades de soltura dos filhotes.
O PQA, que já salvou cerca de 100 milhões de filhotes no Brasil, é uma iniciativa do Ibama em parceria com a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh). A região onde o projeto atua é uma área protegida, com proibição da pesca durante o período reprodutivo.

