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Saúde

Estudo revela que reposição hormonal na menopausa não aumenta mortalidade

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de março de 2026 05:03
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Um estudo publicado em fevereiro no British Medical Journal analisou a segurança da reposição hormonal na menopausa e concluiu que essa terapia não está associada ao aumento da mortalidade geral. A pesquisa acompanhou 876 mil mulheres por mais de uma década, abordando uma questão que gera debate na medicina há mais de vinte anos.

A mortalidade é um desfecho final na epidemiologia, refletindo o impacto acumulado de doenças graves. O estudo utilizou registros nacionais de saúde da Dinamarca, focando em mulheres nascidas entre 1950 e 1977, todas com 45 anos ou mais. Aproximadamente 104 mil dessas mulheres usaram terapia hormonal em algum momento, com um acompanhamento médio de 14,3 anos.

Os pesquisadores ajustaram fatores como idade, doenças prévias e nível socioeconômico, e compararam o risco de morte entre mulheres que usaram e aquelas que não usaram a terapia hormonal. O resultado mostrou que o risco de morte foi praticamente o mesmo nos dois grupos, sem diferenças claras nas mortes por câncer ou doenças cardiovasculares.

Um achado relevante foi que mulheres que tiveram remoção cirúrgica dos ovários entre 45 e 54 anos e fizeram reposição hormonal apresentaram uma redução de 27% a 34% no risco de morte em comparação com aquelas que não usaram a terapia. Isso reforça a prática médica de recomendar a reposição hormonal em casos de menopausa precoce.

A terapia hormonal passou por diferentes percepções ao longo das décadas. Nos anos 1990, era amplamente prescrita, mas em 2002, o estudo Women’s Health Initiative associou a terapia hormonal combinada a riscos elevados de eventos graves, como câncer de mama e infarto. Isso levou a uma queda drástica no uso da terapia em vários países.

Parte da confusão sobre os riscos da terapia hormonal se deve à forma como os resultados foram comunicados. Segundo o oncologista Gilberto Amorim, um aumento de 25% no risco relativo pode parecer alarmante, mas pode representar uma mudança pequena em termos absolutos. Em 2003, o Million Women Study reforçou essa preocupação, mas era um estudo observacional que não provou causalidade.

Pesquisadores reexaminaram dados e perceberam que a idade das participantes influenciava os resultados. O conceito de “janela de oportunidade” sugere que iniciar a terapia hormonal antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa pode ser mais seguro. O novo estudo do BMJ não encontrou aumento da mortalidade entre usuárias da terapia hormonal, ajudando a contextualizar estudos anteriores.

Embora o risco de câncer ainda seja uma preocupação, o estudo não encontrou diferença clara na mortalidade por câncer entre mulheres que usaram e não usaram a terapia hormonal. O ginecologista Mauricio Abrão destaca que a relação entre terapia hormonal e câncer depende de vários fatores, incluindo o tipo de hormônio e a duração do tratamento.

Apesar das novas evidências, especialistas alertam que a terapia hormonal não deve ser indicada automaticamente. A principal indicação continua sendo o tratamento de sintomas moderados ou intensos da menopausa. Fatores como idade, intensidade dos sintomas e histórico de saúde são essenciais na decisão clínica.

TAGGED:British Medical JournalDinamarcaGilberto AmorimMauricio AbrãoMenopausaMillion Women Studymortalidadereposicao hormonalSaúde da mulherWomen’s Health Initiative
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