Hoje, 11 de março, completa um ano da primeira denúncia do “Caso ISEA”, que investiga uma suposta negligência médica na Maternidade Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), em Campina Grande, Paraíba. O caso resultou na morte de um bebê e, posteriormente, da mãe, Maria Danielle Cristina Morais.
Maria Danielle, assistente social, faleceu após ter seu útero retirado durante o parto. O inquérito policial que investiga a situação ainda não foi concluído, e a família busca respostas e Justiça. O viúvo, Jorge Elô, expressou sua confiança nas advogadas da família, apesar da saúde mental afetada pela demora nas investigações.
“”O que a gente tem de informação é que eles estão coletando o máximo possível de declarações, querem de fato fazer um inquérito robusto”, disse Jorge.”
Especialistas afirmam que um inquérito policial deve ser concluído rapidamente. Quando o réu está solto, o prazo é de 30 dias, podendo ser prorrogado. A inconclusão das investigações tem gerado um luto inacabado para a família de Danielle, que enfrenta dificuldades burocráticas, como a ausência da certidão de óbito.
Após a morte de Danielle, o corpo foi encaminhado para autópsia, e a causa da morte foi identificada como Acidente Vascular Cerebral (AVC). No entanto, a família teve que entrar na Justiça para conseguir a certidão de óbito, já que o prazo legal para emissão havia se encerrado.
A denúncia de negligência médica foi feita por Jorge Elô em março de 2025. Segundo relatos, Maria Danielle deu entrada na maternidade em 27 de fevereiro, e exames indicaram a possibilidade de parto vaginal. No entanto, complicações ocorreram, levando à morte do bebê e à cirurgia de emergência para a mãe.
Maria Danielle faleceu em 25 de março de 2025, após apresentar sinais de AVC. A Secretaria de Saúde de Campina Grande informou que ela havia recebido alta, mas foi internada novamente com sintomas graves.
O Ministério Público da Paraíba abriu investigação em 12 de março de 2025, e um ano depois, o inquérito ainda não foi finalizado. O delegado responsável, Renato Leite, afirmou que um novo prazo de 30 dias para diligências complementares começará a contar a partir de amanhã.
Após a morte de Danielle, Jorge Elô decidiu criar a plataforma “Dani e Davi Elô – Guia para a gestante e o acompanhante de parto”, com o objetivo de combater a violência obstétrica e informar gestantes sobre seus direitos.
“”A gente identificou que se a gente tivesse tido algumas informações simples relacionada à violência obstétrica, talvez a gente tivesse percebido sinais de alertas e evitado a tragédia”, afirmou Jorge.”
A violência obstétrica é um tipo de violência de gênero que afeta muitas gestantes no Brasil. Denúncias podem ser feitas através do Disque 180 e Disque 136, além de outros órgãos competentes.


