Nos últimos meses, relatos de pessoas que descobriram alterações na função renal ganharam destaque na imprensa e nas redes sociais. Um exemplo é o ator Jackson Antunes, que fez um transplante e recebeu o rim da esposa. Esses casos frequentemente têm como ponto de partida um exame de sangue rotineiro que revela níveis elevados de creatinina.
O médico Cristovam Scapulatempo observa que alterações nos rins podem ser descobertas silenciosamente em exames feitos por outros motivos. A perda da função renal geralmente evolui de maneira lenta, sem sinais evidentes no início, levando muitos pacientes a buscarem avaliação apenas em estágios mais avançados.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a doença renal crônica tem gerado um impacto crescente no Brasil, com um aumento significativo das internações relacionadas à condição nos últimos anos. Estima-se que 10% da população viva com algum grau da doença, muitas vezes sem saber. Sintomas como inchaço nas pernas, fadiga e alterações na frequência urinária costumam aparecer apenas quando a função renal já está comprometida.
Além das doenças que afetam a função renal, os rins também podem ser acometidos por tumores. O câncer de rim representa cerca de 2% a 3% de todos os tumores diagnosticados no mundo, com aproximadamente 430 mil novos casos anualmente, segundo o Global Cancer Observatory. No Brasil, as internações relacionadas ao câncer de rim aumentaram de cerca de 84 mil em 2010 para mais de 140 mil em 2023, conforme o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.
A creatinina é um dos exames mais utilizados para avaliar a saúde dos rins. É uma substância produzida pelo metabolismo muscular e circula na corrente sanguínea, sendo filtrada pelos rins e eliminada pela urina. Quando a função renal está comprometida, a filtragem da creatinina se torna menos eficiente, resultando em seu acúmulo no sangue.
Os níveis de creatinina variam conforme idade, sexo e massa muscular. Em geral, os valores considerados normais são: homens: aproximadamente 0,7 a 1,3 mg/dL; mulheres: aproximadamente 0,6 a 1,1 mg/dL. Fatores como desidratação e atividade física intensa podem causar elevações temporárias da creatinina, tornando essencial a interpretação do resultado no contexto clínico do paciente.
Embora a creatinina seja um marcador da função renal, não é um marcador tumoral. Níveis elevados não indicam necessariamente a presença de câncer, mas alterações podem ocorrer em pacientes com câncer de rim, especialmente quando o tumor interfere na função renal.
O diagnóstico do câncer de rim raramente é feito apenas por exames laboratoriais. Testes de creatinina e análise de urina são parte da investigação clínica, seguidos por exames de imagem como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Um ponto comum em muitos relatos é que um exame de rotina revelou a creatinina alterada. Para médicos, esse pequeno marcador pode ser o primeiro sinal de que os rins precisam de atenção. Reconhecer esses alertas precoces pode transformar um achado casual em uma oportunidade de investigação antes que a doença avance.


