A polícia australiana auxiliou dois integrantes da delegação da seleção feminina de futebol do Irã a escapar de seus acompanhantes para solicitar asilo no país. Contudo, uma das pessoas decidiu retornar ao Irã, conforme informado nesta quarta-feira (11) pelo ministro do Interior da Austrália.
A preocupação com a segurança das atletas aumentou após a televisão estatal iraniana rotular o time de “traidores em tempos de guerra”. Essa crítica surgiu depois que as jogadoras se negaram a cantar o hino nacional durante uma partida da Copa da Ásia feminina, realizada na Austrália no início do mês.
O ministro Tony Burke anunciou no Parlamento que a atacante Mohaddeseh Zolfi, de 21 anos, e a integrante da equipe de apoio Zahra Soltan Moshkehkar aceitaram na noite de terça-feira (10) a oferta do governo australiano para permanecer no país. Um dia antes, outras cinco jogadoras já haviam recebido asilo.
No entanto, uma das duas pessoas que inicialmente decidiu ficar na Austrália mudou de ideia após conversar com colegas que haviam deixado o país. O ministro não especificou quem tomou a decisão de retornar ao Irã. “Na Austrália, as pessoas podem mudar de ideia e podem viajar. Respeitamos o contexto em que ela tomou essa decisão”, afirmou Burke.
Segundo Burke, o restante das jogadoras foi levado a um local seguro após a integrante que voltou atrás entrar em contato com a embaixada do Irã e revelar a localização do grupo. Zolfi e Moshkehkar haviam sido separadas do restante da delegação com a ajuda da Polícia Federal Australiana antes de embarcarem em um voo doméstico para Sydney.
Antes de deixarem o país, autoridades australianas também separaram o restante do time de seus acompanhantes iranianos no aeroporto de Sydney e informaram às atletas sobre suas opções. Todas as que chegaram ao aeroporto decidiram voltar ao Irã. “Garantimos que não houve pressa nem pressão. Tudo foi feito para assegurar que essas pessoas pudessem tomar uma decisão com dignidade”, disse Burke durante entrevista coletiva em Canberra.
O ministro também afirmou que algumas jogadoras questionaram sobre a possibilidade de ajudar familiares a deixar o Irã. “Quando alguém se torna residente permanente, existem direitos para patrocinar a vinda de familiares. Mas isso só se torna relevante se essas pessoas conseguirem sair do Irã primeiro”, explicou.
A equipe já chegou a Kuala Lumpur, na Malásia, durante o trajeto de volta ao Irã. A Confederação Asiática de Futebol confirmou a chegada da delegação e informou que as jogadoras estão hospedadas em um hotel na capital malaia, sem fornecer mais detalhes. “A AFC fornecerá todo o apoio necessário à equipe durante a estadia até que os próximos arranjos de viagem sejam confirmados”, disse um porta-voz da entidade em comunicado.
A embaixada do Irã em Kuala Lumpur afirmou à agência estatal malaia Bernama que as jogadoras estão bem e “querem voltar para casa”. A participação da seleção iraniana no torneio começou em meio a ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei. A equipe foi eliminada da competição no domingo.
Um grupo de iranianos que vivem na Austrália realizou protestos contra o governo do Irã e cercou o ônibus das jogadoras na cidade de Gold Coast quando elas deixaram o hotel rumo ao aeroporto. Manifestantes também estiveram no aeroporto de Sydney na noite de terça-feira (10), quando a delegação era transferida para o terminal internacional, conforme imagens exibidas pela televisão.
O gabinete do procurador-geral do Irã declarou na terça-feira que os membros restantes da equipe foram convidados a voltar ao país “com paz e confiança”, segundo a imprensa iraniana.


