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Meio Ambiente

Desmatamento na Serrinha do Paranoá pode liberar 104,5 mil toneladas de CO2, aponta estudo

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de março de 2026 08:05
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) indica que a urbanização de uma área verde na Serrinha do Paranoá, incluída na lei de socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB), pode liberar cerca de 104,5 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. O estudo foi obtido em primeira mão e revela o impacto da decomposição da vegetação nativa na região.

A liberação de CO2 é uma estimativa que considera apenas a degradação do material orgânico, sem levar em conta o impacto de construções e atividades humanas. O estudo também não quantifica o carbono que deixaria de ser captado pela vegetação, o que sugere que o dano ambiental futuro seria ainda maior.

A Serrinha do Paranoá abriga 119 nascentes essenciais para a irrigação de córregos da região, como os córregos do Urubu, Jerivá, Palha e Tamanduá, que mantêm a vazão do Lago Paranoá em períodos de seca extrema. O levantamento do IPAM aponta que as áreas à venda correspondem aos 20% mais preservados da Serrinha.

“”Os dados indicam que a área alienada não é um terreno degradado ou sem funções ambientais claras, mas sim um dos fragmentos preservados da região da Serrinha”, afirma o estudo.”

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A área é classificada como Área Prioritária para a Recarga de Aquíferos pelo Zoneamento Ecológico-Econômico do Distrito Federal (ZEE-DF). Segundo o IPAM, a manutenção da cobertura vegetal é crucial para a segurança hídrica de um dos principais reservatórios de abastecimento público da capital.

Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM, destaca que a área já enfrenta especulação imobiliária. “É difícil não ocorrer desmatamento e urbanização [na área à venda]. Já há grilagem de terra ali e ocupações ilegais. Quem comprar a área vai dar um empurrão na urbanização do local”, diz Moutinho.

O impacto da perda de vegetação é ainda mais preocupante em meio às mudanças climáticas. “Está em curso no Cerrado uma redução drástica de águas superficiais, parte pela mudança climática, parte pelo sumiço de nascentes”, alerta Moutinho.

Um estudo da Secretaria de Agricultura do DF revela que uma em cada cinco nascentes da região precisa de ações de recuperação ambiental. A área total abrange núcleos rurais como Boa Esperança, Taquari, Bananal, Olhos D’Água, Torto, Tamanduá, Urubu, Jerivá, Palha e Cachoeira do Bálsamo, onde residem entre 60 e 65 mil pessoas.

O governo do DF planeja usar 716 hectares da Serrinha para reforçar um fundo de imóveis, oferecendo como garantia em um empréstimo ou até vendendo a área ao setor privado. A nova lei aprovada pela Câmara do DF e sancionada por Ibaneis Rocha (MDB) permite a transformação desses imóveis públicos em ajuda ao BRB.

“”Se julgar viável, o governo do DF poderia transferir diretamente esses imóveis para o BRB”, diz a lei.”

Além disso, a lei autoriza a venda dos imóveis e a adoção de outras medidas financeiras para reforçar o patrimônio do banco, incluindo a possibilidade de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões.

TAGGED:Banco de BrasíliaBrasíliadesmatamentoDistrito FederalInstituto de Pesquisa Ambiental da AmazôniaMeio Ambientemudanças climáticasPaulo MoutinhoSecretaria de Agricultura do DFSerrinha do Paranoá
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