A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, a terceira fase da Operação Anomalia, focando em agentes públicos ligados a facções criminosas no Rio de Janeiro.
A ação desta manhã teve como alvo policiais militares investigados por envolvimento com tráfico e milícias. Estão sendo cumpridos sete mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. Até o momento, seis pessoas foram presas.
“Os elementos probatórios colhidos durante as apurações revelaram que os policiais militares alvos da operação se utilizavam das prerrogativas da farda e da função pública para atuar em benefício do crime organizado”, informou a PF em nota.
A investigação evidenciou uma estrutura voltada não apenas à facilitação logística para o tráfico e milícias, mas também à blindagem de criminosos e à ocultação do proveito econômico ilícito.
Os mandados, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo executados nas cidades do Rio de Janeiro — na Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz —, além de Nova Iguaçu e Nilópolis, com apoio da Corregedoria da PMERJ. O STF determinou o afastamento dos suspeitos e a quebra do sigilo de dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.
No dia anterior, a PF desmantelou um núcleo criminoso composto por policiais civis no estado do Rio de Janeiro que extorquia traficantes do Comando Vermelho (CV). Entre os alvos, estão os policiais civis Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus, que foram presos, além do delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves e Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, um traficante que já estava na prisão.
Esses indivíduos são investigados por “utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes da maior facção criminosa presente no território fluminense, além de praticar corrupção e lavagem de capitais”, conforme nota da PF.
Agentes encontraram dinheiro em espécie na residência de um dos policiais, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.
Na segunda-feira, 9 de março, na primeira etapa da operação, o delegado federal Fabrízio Romano, sob suspeita na investigação que atingiu o ex-deputado estadual TH Joias, foi preso por envolvimento com o Comando Vermelho. A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que atendeu a um pedido da PF.
A ação também mirou advogados e o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, que atuavam como intermediários de propinas do tráfico de drogas ao delegado, em troca de informações e influência.
As investigações apontam que Romano liderava o esquema ao lado de um policial civil, emitindo intimações para coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício.


