Quatro navios são atacados no Estreito de Ormuz em meio a tensões entre EUA e Irã

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Pelo menos quatro navios foram atacados nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, na área do Estreito de Ormuz, um dos principais focos de atenção global devido à sua importância para a economia mundial.

Os ataques ocorreram em meio à campanha de retaliação do Irã contra Israel e aliados dos Estados Unidos no Golfo, com foco nas infraestruturas de petróleo. A agência marítima britânica UKMTO informou que um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos”. Além disso, a Marinha da Tailândia relatou que um graneleiro com bandeira tailandesa também foi atacado enquanto transitava pelo estreito. Os 20 tripulantes da embarcação foram resgatados.

A UKMTO registrou 14 incidentes contra navios na passagem onde transitam 20% do gás e petróleo consumidos pelo mundo desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Os ataques ocorreram após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar o Irã com “consequências militares de um nível nunca antes visto” caso o país instale minas na área. As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram na terça-feira, 10 de março, que destruíram 16 navios iranianos de instalação de minas nas proximidades do estreito.

Nos últimos dias, os ataques iranianos provocaram explosões no Catar e feridos pela queda de drones perto do aeroporto de Dubai. A atenção se voltou para a rota marítima que o Irã decidiu fechar na semana passada. A comunidade internacional discute ações para desbloquear o tráfego de petróleo. Washington mencionou a possibilidade de escoltar embarcações na região, enquanto a França propôs criar uma “missão defensiva” com aliados para reabrir o estreito.

A Agência Internacional de Energia (AIE) considera recorrer às reservas emergenciais de petróleo, uma medida extraordinária que não era utilizada desde o início da guerra na Ucrânia, segundo o jornal americano The Wall Street Journal. Os governantes do G7 devem se reunir por videoconferência nesta quarta-feira para discutir a questão das reservas energéticas, conforme informou o ministro francês da Economia, Roland Lescure.

Especialistas alertam que os riscos de segurança podem tornar o uso da rota inviável economicamente. O Soufan Center, especializado em segurança, destacou que “os riscos para a segurança podem fazer com que uma única passagem pelo estreito fique mais cara do que a margem de lucro da própria carga de petróleo transportada pelo navio”. Além disso, a reserva de minas navais do Irã varia entre 2.000 e 6.000 unidades, complicando planos de escolta para petroleiros comerciais.

O bloqueio do estreito provoca volatilidade nos mercados. Após uma recuperação na terça-feira, as bolsas europeias abriram em terreno negativo nesta quarta-feira, e a cotação do petróleo subiu novamente. O barril de WTI se aproximava de 88 dólares, uma alta de quase 6%, enquanto o barril de Brent era negociado por pouco mais de 92 dólares, com aumento de 5%.

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