A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, ocorrida em 18 de fevereiro no bairro do Brás. A dinâmica do caso contradiz a versão inicial de suicídio apresentada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O caso, atualmente sob segredo de Justiça, foi enviado à Vara do Júri após o Ministério Público identificar indícios de crime doloso contra a vida.
A Justiça determinou que a morte da policial seja investigada como feminicídio. O tenente-coronel, em depoimento, relatou que, na manhã do ocorrido, comunicou à esposa o desejo de se separar. Segundo ele, Gisele reagiu de forma exaltada e pediu que ele saísse do quarto. Geraldo afirmou que entrou no banheiro para tomar banho e, cerca de um minuto depois, ouviu um estampido. Ao sair, encontrou a esposa caída na sala, com um ferimento na cabeça e segurando uma arma de fogo. Ele acionou o socorro e ligou para um amigo, o desembargador Marco Antônio Cogan, que compareceu ao local.
Testemunhas e socorristas que atenderam a ocorrência relataram fatos que levantaram suspeitas. O primeiro bombeiro a entrar no imóvel notou que o sangue na cabeça da vítima já apresentava sinais de coagulação, embora o marido afirmasse que o disparo ocorrera instantes antes. Além disso, apesar de Gisele ter sido encontrada com a arma na mão, não havia cápsulas de munição ou estojos deflagrados próximos ao corpo ou no chão da sala. Policiais militares relataram que o tenente-coronel não apresentava manchas de sangue nas mãos ou no corpo e insistiu em tomar banho e trocar de roupa antes de seguir para a delegacia, contrariando orientações de preservação da cena.
Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) identificou marcas de lesões no rosto e no pescoço de Gisele, compatíveis com pressão de dedos e marcas de unhas. A perícia confirmou que o tiro foi efetuado de forma encostada à cabeça. Diante desses elementos, a Justiça autorizou a exumação do corpo no dia 6 de março para a realização de exames complementares que possam esclarecer a trajetória do projétil e o horário exato da morte.
Outro ponto crítico da investigação é o depoimento de uma funcionária do condomínio, que afirmou que três policiais militares mulheres estiveram no apartamento na tarde do crime para realizar uma limpeza no imóvel. A Polícia Civil apura se houve tentativa de obstrução de provas ou alteração da cena do crime. Atualmente, as autoridades aguardam a extração de dados de três celulares apreendidos e a perícia na bermuda que o tenente-coronel vestia no momento do fato. O oficial permanece afastado de suas funções.


