A identificação de sete pacientes com uma bactéria multirresistente resultou no fechamento temporário da UTI Adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, São Paulo. A medida foi implementada na terça-feira, 10 de março de 2026, como parte de um plano de contingência para conter a circulação da superbactéria KPC dentro da unidade.
A presença do microrganismo foi detectada durante o monitoramento de rotina realizado pelas equipes assistenciais e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Em resposta, o hospital suspendeu temporariamente a admissão de novos pacientes na UTI e reorganizou o atendimento para reduzir o risco de transmissão.
Os sete pacientes identificados com a bactéria foram isolados em um setor específico da unidade, com equipe exclusiva de atendimento. Os demais pacientes da UTI estão sendo transferidos para leitos de mesma complexidade em outras unidades da rede, como o Hospital Ouro Verde, também em Campinas. O serviço de regulação municipal e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram orientados a encaminhar novos casos para outros hospitais.
Além disso, o hospital informou que reforçou medidas como higienização de mãos, limpeza terminal dos leitos e treinamentos das equipes de higiene e assistência.
A KPC, sigla para Klebsiella pneumoniae carbapenemase, é uma enzima produzida por bactérias que as torna resistentes a antibióticos carbapenêmicos, normalmente usados como última linha de tratamento para infecções graves. Devido a essa resistência, microrganismos que produzem KPC são chamados de “superbactérias”. Eles podem causar infecções severas, especialmente em pessoas debilitadas ou internadas por longos períodos.
Entre os quadros associados à KPC estão pneumonia, infecções urinárias, infecções na corrente sanguínea e, em casos mais raros, meningite. A circulação da KPC está frequentemente associada a ambientes hospitalares, especialmente em UTIs, onde há pacientes com imunidade comprometida e uso frequente de antibióticos.
A transmissão ocorre por contato com secreções ou superfícies contaminadas, podendo acontecer entre pacientes quando medidas rigorosas de controle de infecção não são seguidas. Protocolos como higienização das mãos, isolamento de pacientes colonizados e desinfecção intensiva de ambientes são essenciais para interromper a disseminação.
Os sintomas de infecção por KPC podem variar conforme o órgão afetado, mas geralmente incluem febre alta, mal-estar, dificuldade para respirar, tosse, dor no corpo, alterações no batimento cardíaco, infecção urinária e pressão baixa. Apesar da resistência a antibióticos, a infecção por KPC pode ser tratada com combinações de antibióticos específicos e medidas de suporte clínico.
O controle da disseminação depende de estratégias de prevenção dentro dos hospitais, como rastreamento de pacientes e protocolos rigorosos de limpeza. Em Campinas, as medidas de contingência permanecerão em vigor até que o cenário seja considerado estabilizado pelas equipes técnicas e pela vigilância em saúde.

