A primeira audiência de instrução e julgamento do processo sobre o assassinato de Catarina Kasten, de 31 anos, ocorre nesta quarta-feira (11), em Florianópolis. A sessão, marcada para começar às 14h, vai ouvir testemunhas indicadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e pela defesa do réu Giovane Correa Mayer, de 21 anos.
Catarina, professora de inglês, foi violentada sexualmente e assassinada na trilha da Praia do Matadeiro. Ela saiu de casa na manhã de 21 de novembro de 2025 para uma aula de natação e encontrou o assassino no caminho, sem que se conhecessem anteriormente.
Giovane é acusado de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver, com qualificadoras e agravantes. Ele poderá ser ouvido na audiência, dependendo do andamento dos depoimentos e de sua disposição para se manifestar. A defesa do réu havia solicitado um incidente de insanidade mental, que foi indeferido pela Justiça em 28 de janeiro deste ano.
O advogado de Giovane afirmou que irá trabalhar de forma técnica, analisando as provas do processo. O caso está em sigilo grau 2, o que implica em uma restrição moderada dos dados do processo judicial.
A morte de Catarina gerou grande repercussão devido à brutalidade do crime e à crescente incidência de feminicídios no estado e no país. Manifestações ocorreram em várias localidades do Brasil pedindo o fim das violências contra as mulheres.
Catarina era estudante de pós-graduação em estudos linguísticos e literários na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Formada em Letras-Inglês em 2022, ela lecionava e planejava ingressar no doutorado. O marido acionou as autoridades após não ter notícias dela no horário habitual.
Após buscas, o corpo de Catarina foi encontrado próximo à trilha usada por moradores da região. O suspeito foi identificado por meio de imagens de câmeras de monitoramento, com o auxílio de moradores. Giovane foi visto circulando nas proximidades do local do crime e, após ser abordado, confessou os crimes, afirmando ter escondido o corpo da vítima em uma área de mata.
A brutalidade do feminicídio levou a Polícia Civil a reabrir a investigação sobre o estupro de uma idosa de 69 anos, ocorrido em 2022. O autor preso pelo assassinato de Catarina foi testemunha do primeiro crime e agora é considerado suspeito da violência de três anos atrás. Na investigação de 2022, Giovane tinha 17 anos e negou envolvimento no caso da idosa.
Materiais e vestígios genéticos dos dois casos serão comparados para verificar semelhanças. A delegada responsável pelo caso afirmou que as investigações continuam.


