O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, está avaliando a possibilidade de enviar forças especiais ao Irã para apreender o estoque de urânio enriquecido do país. A informação foi divulgada por veículos de mídia americanos.
O desmantelamento do programa nuclear iraniano é considerado um dos principais objetivos da guerra que afeta o Oriente Médio há 12 dias. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que o Irã utiliza centrífugas avançadas na planta de Natanz para enriquecer urânio em até 60%, acumulando cerca de 450 kg do material. Esse nível de enriquecimento está próximo dos 90% necessários para a produção de uma bomba nuclear.
O portal Axios e a agência Bloomberg noticiaram no final de semana a possibilidade do envio de forças especiais. O jornal britânico The Guardian também obteve relatórios israelenses e americanos sobre a operação na terça-feira, 10 de março.
Durante uma audiência no Congresso, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que, em algum momento, “alguém terá que ir buscar” o estoque de urânio enriquecido. Embora não tenha detalhado o plano, autoridades dos EUA e de Israel discutem operações que envolvem forças especiais dos dois países.
Trump já havia declarado que militares americanos poderiam ser enviados ao Irã no futuro para apreender o urânio, mas somente quando as forças iranianas estivessem suficientemente enfraquecidas. Na segunda-feira, o presidente disse ao jornal New York Post que não tomou nenhuma decisão sobre o envio de soldados ao Irã e que ainda não está “nem perto” de decidir.
A declaração de Trump ocorre em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, que começou com ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Em resposta, Teerã lançou uma campanha retaliatória contra países que abrigam bases militares americanas na região.
A ofensiva ocorreu após o fracasso das negociações entre os EUA e o Irã sobre um acordo nuclear que visava controlar o programa de enriquecimento de urânio do Irã. A AIEA confirmou que danos foram identificados nas instalações de enriquecimento de urânio em Natanz durante os ataques ao território iraniano.
A usina de Natanz, localizada a cerca de 200 quilômetros a sudeste de Teerã, é uma das principais estruturas do programa nuclear iraniano. A parte subterrânea da instalação é projetada para proteger as instalações de enriquecimento de ataques aéreos.
Em junho de 2025, os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Tel Aviv e Teerã. Antes dos bombardeios, a AIEA estimou que o Irã possuía cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60% em Natanz. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que cerca de 200 kg do urânio que sobreviveram aos ataques aéreos do ano passado estão armazenados em túneis profundos próximos ao complexo nuclear de Isfahan, além de uma nova instalação fortificada em Natanz, conhecida como “Pickaxe Mountain”.


