A Raízen protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em obrigações financeiras. A decisão reacendeu discussões no mercado sobre o uso desse mecanismo jurídico por grandes empresas.
O processo permitirá que a companhia negocie diretamente com seus credores, evitando um processo de recuperação judicial mais amplo. Para que o plano seja homologado pela Justiça, a empresa precisa do apoio de credores que representem ao menos 60% da dívida incluída na proposta.
A proposta foi elaborada em diálogo com os credores e busca criar um ambiente jurídico adequado para ajustes nas obrigações financeiras, dentro da estratégia de otimização da estrutura de capital da empresa. A Raízen enfrenta pressão sobre seu caixa, tendo ampliado seu nível de endividamento em meio a um ciclo de investimentos significativos e desafios operacionais.
A empresa, controlada por Cosan e Shell, acumula uma dívida líquida superior a R$ 55 bilhões, resultante de investimentos em expansão, aumento de custos operacionais e fatores climáticos que afetaram a produção de cana-de-açúcar. A renegociação pode incluir medidas como alongamento de prazos de pagamento e ajustes nas condições da dívida.
Segundo Cristiano Leal, especialista em investimentos, o anúncio da recuperação extrajudicial não surpreendeu o mercado, que já vinha precificando um cenário de reestruturação. As ações da empresa acumulavam uma queda próxima de 70%, enquanto os bonds eram negociados em níveis de distress.
Leal destacou que a empresa enfrentou um ambiente desafiador, com juros elevados e safras mais fracas, o que pressionou o fluxo de caixa e ampliou a alavancagem. A movimentação ocorre em um momento sensível para o setor de energia e biocombustíveis, marcado por volatilidade nos preços de commodities.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite acordos diretos entre empresas e credores, com posterior homologação judicial. O processo tem escopo mais restrito e menor interferência nas operações da companhia.
A Raízen afirmou que o escopo do processo é estritamente financeiro e não envolve dívidas operacionais. As relações com clientes e fornecedores seguem normais, e as operações da companhia não sofrerão alterações. O plano prevê um prazo de até 90 dias para a obtenção das adesões necessárias dos credores para a homologação judicial.

