O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, está enfrentando mudanças significativas devido ao conflito no Oriente Médio. A movimentação de navios na região, que antes era intensa, sofreu uma redução brusca em razão do aumento do risco de minas navais e ataques.
O Estreito de Ormuz é vital para o comércio global de energia, com 20% do petróleo e até 25% do gás natural do mundo transitando por essa passagem. Em condições normais, entre US$ 300 milhões e US$ 360 milhões em petróleo cruzam diariamente essa rota de apenas 33 km de largura. Atualmente, o controle do estreito está nas mãos da guarda revolucionária do Irã, que confirmou o fechamento da passagem e ameaçou incendiar navios que tentassem atravessá-la.
“”O fechamento do Estreito de Ormuz é uma opção estratégica do Irã, no sentido de tentar conter a guerra e acabar, portanto, com a pressão contra o seu próprio território”, afirmou Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra.”
A navegação no estreito já exigia cuidados em tempos de paz, com navios seguindo faixas bem definidas para entrada e saída. Especialistas alertam que a região tem áreas rasas e correntes marítimas que dificultam a navegação. José Menezes Filho, ex-comandante de navios petroleiros, destacou que qualquer erro de posicionamento pode resultar em acidentes.
““Quando você faz a curva no estreito, sofre uma grande influência das correntes. Tem que posicionar o navio com muita antecedência. Se sair um pouco da rota, pode encalhar ou bater em pedra”, afirmou.”
Com a guerra, a principal ameaça passou a ser o uso de minas navais, que podem transformar rapidamente a rota em uma área proibida para navios comerciais. Esses dispositivos podem ser de diversos tipos, como minas de contato e minas de influência, que representam um grande risco para a navegação.
““Navegar assim seria muito arriscado”, disse um especialista.”
O controle do Estreito de Ormuz se tornou um objetivo estratégico no conflito, com a possibilidade de bloquear essa rota sendo uma forma de pressionar a economia global. O Irã já ameaçou fechar o estreito diversas vezes ao longo da história, e a interrupção do fluxo de energia pode provocar alta imediata no preço do petróleo.
Na atual batalha marítima, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um de seus alvos é aniquilar a Marinha iraniana. Ele mencionou que os EUA podem escoltar os petroleiros, mas o Estreito de Ormuz continua parcialmente fechado. Segundo a ONU, 20 mil tripulantes estão a bordo de navios no Golfo Pérsico, aguardando a abertura total do estreito.


