O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quarta-feira (11) com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sobre o combate ao crime organizado na região. A conversa ocorreu no Palácio da Alvorada e contou com a presença do embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência.
O Planalto ainda não divulgou uma nota oficial sobre o telefonema. Lula tem intensificado sua agenda diplomática com países da América Latina em meio a articulações para evitar que os Estados Unidos classifiquem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Segundo fontes do governo, Lula está preocupado com a questão e tem conversado com líderes de outros países que enfrentaram situações semelhantes, onde organizações criminosas foram classificadas como organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês).
Na última segunda-feira (9), Lula também conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, que lida com uma crise relacionada à atuação de cartéis do narcotráfico. O chanceler Mauro Vieira, em ligação com Marco Rubio no domingo (8), tentou barrar a classificação de facções como Organizações Terroristas Estrangeiras, pedindo que os EUA aguardem o encontro entre Lula e o presidente Donald Trump.
O debate sobre a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas não é novo, mas ganhou novas nuances após o ataque militar dos Estados Unidos na Venezuela em janeiro. A legislação norte-americana permite intervenções contra organizações designadas como terroristas, incluindo o uso de força militar.
O chanceler pediu que Rubio aguarde o encontro, pois o governo brasileiro deseja mostrar como tem atuado no combate ao crime organizado. Lula pretende visitar a Casa Branca para se reunir com Trump, embora a data ainda não tenha sido acertada devido a dificuldades de agenda.
Nos EUA, o conceito de organização terrorista é mais amplo, permitindo ao presidente aplicar essa definição. Um dos critérios é representar uma ameaça à segurança dos cidadãos ou à segurança nacional dos EUA.
Para receber a designação de Organização Terrorista Estrangeira (FTO), é necessário ser uma organização estrangeira, engajar-se em atividade terrorista e representar uma ameaça à segurança dos cidadãos ou à segurança nacional dos EUA. A classificação traz consequências legais e políticas, como a proibição de apoio material ao grupo e o bloqueio de ativos financeiros.


