A Polícia Federal iniciou um inquérito para investigar a tendência viral nas redes sociais chamada ‘Caso ela diga não’, que incita práticas de violência contra a mulher.
A trend consiste em simulações de agressões a mulheres que rejeitam pedidos de casamento ou outras solicitações. Segundo a análise de Clarissa Oliveira, a normalização da misoginia nas plataformas digitais tem contribuído para o aumento dos casos de feminicídio no Brasil.
Especialistas afirmam que o discurso de ódio contra mulheres nas redes sociais cria um ambiente propício à violência. ‘O que está em discussão aqui é a normalização da misoginia’, explica Clarissa. Ela ressalta a importância de criminalizar não apenas a violência física, mas também o discurso que incita o ódio, mesmo quando apresentado como brincadeira.
Clarissa menciona canais misóginos brasileiros no YouTube, que possuem mais de 23 milhões de inscritos, e destaca a necessidade de discutir a responsabilização das plataformas digitais e de quem estimula esse comportamento violento.
Um exemplo citado pela especialista é o influenciador conhecido como ‘Calvo do Campari’, que promove discursos que diminuem as mulheres e propagam a ideia de superioridade masculina. ‘Ele é um líder de milhões de pessoas que seguem o discurso de ódio que ele propaga’, afirma.
A analista observa que a trend ‘Caso ela diga não’ não teria tantos seguidores sem a validação desse comportamento, que reflete a ideia de que ‘a mulher é feita para servir’ e ‘tem a obrigação de aceitar’ as demandas masculinas.
Especialistas em proteção à mulher e do meio jurídico frequentemente relacionam o aumento drástico do número de feminicídios ao componente da misoginia nas redes sociais.


