Câmara dos Deputados planeja votar regulamentação de trabalho em aplicativos em março

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Congresso Nacional está acelerando discussões sobre a regulamentação do trabalho em aplicativos e o fim da escala 6×1. As duas questões buscam atualizar as regras trabalhistas em resposta às novas realidades do mercado.

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados está trabalhando para fechar um acordo sobre a regulamentação dos motoristas de aplicativos até o final de março. A intenção é votar o texto na comissão e, em seguida, encaminhá-lo ao plenário. Caso não haja consenso, o governo considera a possibilidade de enviar um projeto de lei próprio para regulamentar o setor, que atualmente conta com cerca de 1,5 milhão de motoristas e aproximadamente 500 mil entregadores no Brasil.

As negociações sobre o tema se intensificaram após uma reunião realizada na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta. Estiveram presentes o relator da proposta, Augusto Coutinho (republicanos/PE), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos.

O objetivo da proposta é equilibrar a relação entre as plataformas e os trabalhadores, mantendo a autonomia do modelo de aplicativo, mas garantindo proteção social mínima, como contribuição previdenciária e cobertura em caso de acidentes. A discussão também abrange as taxas cobradas pelas plataformas sobre as corridas ou entregas, um ponto frequentemente mencionado pelos motoristas como fonte de desequilíbrio na relação de trabalho.

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Outro tema trabalhista em pauta no Congresso é o fim da escala 6×1. O ministro Luiz Marinho participou de uma reunião na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados para discutir essa questão, esclarecendo que jornada e escala não são a mesma coisa. A jornada refere-se ao total de horas trabalhadas por semana, atualmente fixada em 44 horas, enquanto a escala determina como os dias de trabalho e descanso são organizados.

A CCJ está analisando duas propostas de emenda à Constituição sobre o assunto. A PEC 221/2019, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, propõe a redução da jornada semanal para 36 horas com uma transição de dez anos. Já a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton, estabelece uma jornada de 36 horas com uma escala obrigatória de quatro dias de trabalho seguidos por três dias de descanso. Marinho também destacou que o governo não está considerando conceder isenções ou reduções de impostos para que as empresas apoiem o fim da escala 6×1.

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