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Governo é criticado por demora em se pronunciar sobre guerra e economia

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A disparada do petróleo no mercado internacional gerou preocupações entre economistas e investidores. O conflito no Oriente Médio aumentou a tensão na região do Estreito de Ormuz, onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. O barril do Brent se aproximou dos 90 dólares, o que tende a pressionar os preços dos combustíveis e, consequentemente, de outros produtos na economia.

O economista Gustavo Trotta, da Valor Investimentos, destacou que o impacto do conflito vai além do setor de combustíveis.

““O conflito ali traz impacto a nível global, principalmente no nível inflacionário”,”

afirmou. Ele ressaltou que a escalada das tensões gera incertezas sobre a política monetária mundial, uma vez que bancos centrais enfrentam mais um fator de pressão sobre os preços.

Trotta também mencionou que os reflexos do conflito podem afetar o setor agrícola.

““A alta da ureia já chega a cerca de 33% e isso pode gerar impacto na próxima safra”,”

disse. O aumento no custo de fertilizantes pode elevar os custos de produção e pressionar os preços dos alimentos no futuro.

Outro ponto abordado pelos especialistas foi a reação do mercado brasileiro de combustíveis. O economista Alex Agostini explicou que a definição de reajustes não é uma decisão direta do governo.

““A decisão de aumento de preço é da Petrobras. Há cálculos e uma metodologia para que isso aconteça”,”

afirmou.

A Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) do Ministério da Justiça solicitou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que investigue o aumento de preços nos postos de combustíveis em quatro estados e no Distrito Federal. Agostini alertou que não há reajustes oficiais das distribuidoras no Brasil e que, em momentos de crise internacional, surgem distorções no mercado.

““Há donos de postos, alguns muito mal-intencionados, que aumentam o preço sob a justificativa do efeito da guerra, sendo que não houve aumento na distribuidora”,”

disse.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi criticado por sua demora em se manifestar sobre os efeitos da guerra na economia brasileira. Ele levou 11 dias, desde o início do conflito no Oriente Médio, para se pronunciar, ainda assim em uma entrevista provocada por jornalistas. Alex Agostini criticou a comunicação do governo federal sobre o tema, afirmando que uma posição clara das autoridades poderia ajudar a reduzir incertezas.

““Ficaria muito melhor ver o rosto do presidente ou do ministro em cadeia nacional explicando qual é a posição do Brasil”,”

disse.

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