A União Europeia está avaliando medidas para conter os preços da energia, incluindo a possibilidade de fixar um teto para o preço do gás. A informação foi divulgada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quarta-feira, 11 de março de 2026.
Antes da recente alta dos preços do petróleo e do gás devido à guerra com o Irã, Bruxelas já trabalhava em propostas para ajudar indústrias que enfrentam dificuldades para competir com rivais na China e nos Estados Unidos. “É crucial que reduzamos o impacto nos custos, quando o gás determina o preço da eletricidade”, afirmou von der Leyen ao Parlamento Europeu.
A presidente acrescentou que estão sendo preparadas diferentes opções, como a melhor utilização de contratos de compra de energia (PPAs) e contratos por diferença (CFDs), além de medidas de auxílio estatal. Ela também mencionou a exploração da possibilidade de subsidiar ou fixar um teto para o preço do gás.
O sistema elétrico da UE é estruturado de forma que a última usina necessária para atender à demanda total determina o preço da energia. Frequentemente, essa usina é a gás, o que significa que picos no preço do gás podem elevar os preços da eletricidade, mesmo quando a maior parte da energia é gerada a partir de fontes renováveis ou nucleares mais baratas.
A proposta de fixar um teto para o preço do gás pode gerar divisões entre os governos da UE. Em 2022, a UE já havia introduzido um teto para o preço do gás após a invasão da Rússia à Ucrânia, que cortou o fornecimento de gás para a Europa e elevou os preços a níveis recordes. Esse teto foi projetado para entrar em vigor se os preços do gás na Europa atingissem 180 euros por megawatt-hora, mas nunca foi acionado e expirou no ano passado.
O teto enfrentou resistência de governos, como os da Alemanha e dos Países Baixos, que alertaram que ele poderia prejudicar a capacidade da Europa de garantir o fornecimento de combustível em caso de crise, especialmente se compradores na Ásia oferecessem preços mais altos por cargas de gás natural liquefeito.
Desde o início da guerra com o Irã, alguns navios-tanque de GNL com destino à Europa já estão se dirigindo para a Ásia, à medida que compradores buscam cargas alternativas após a interrupção da produção de GNL pelo Catar, principal fornecedor da Índia.
Von der Leyen também destacou que retornar à energia russa seria “um erro estratégico” e tornaria a Europa mais vulnerável. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, pediu à União Europeia que suspenda as sanções energéticas contra a Rússia, que proíbem a maior parte das importações de petróleo russo, como forma de controlar os preços.


