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São Paulo registra primeiro caso importado de sarampo em 2026

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso importado de sarampo de 2026 nesta quarta-feira, 11 de março, após a confirmação por testes laboratoriais de infecção pelo vírus em uma menina de 6 meses. A criança viajou para a Bolívia em janeiro deste ano e o caso foi notificado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo no mês passado.

Diante do episódio, o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo emitiu um alerta sobre a doença. A paciente não tinha histórico de vacinação contra o sarampo, mas a campanha de imunização se inicia aos 12 meses. Antes disso, é possível receber a “dose zero”, indicada apenas em situações de risco elevado de infecção.

Assim como todos os casos de sarampo, o novo caso deu início a um processo de investigação para evitar o alastramento do vírus, que tem alto potencial de causar surtos, principalmente quando encontra populações não vacinadas, como crianças com menos de um ano, que são mais vulneráveis às complicações da infecção.

““Sempre que tem um caso importado, muitas ações são desencadeadas, como bloqueio dos contactantes, avaliação da situação vacinal, busca ativa na vizinhança para reconhecer pessoas não vacinadas e oferecer vacina, além da testagem e isolamento dos casos confirmados”, explicou o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).”

No ano passado, dois casos também importados foram registrados na capital paulista. Um deles foi de um homem de 27 anos que não estava vacinado e tinha histórico de viagem ao exterior. A secretaria estadual informou que monitora continuamente o cenário epidemiológico do sarampo e reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção.

Embora seja uma doença prevenível por vacina, o sarampo continua em circulação. No fim do ano passado, a região das Américas perdeu o certificado de eliminação da doença, segundo informe da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O último boletim da entidade, divulgado em fevereiro, indica que foram confirmados 1.031 casos de sarampo em sete países da região.

“Esse total representa um aumento de 43 vezes em comparação aos 23 casos notificados no mesmo período de 2025”, informou a Opas. De acordo com a entidade, 78% dos casos confirmados ocorreram em pessoas que não estavam vacinadas e, em 11%, a situação vacinal era desconhecida.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa, causada por vírus, e tem como principal manifestação o aparecimento de manchas vermelhas no corpo. Outros sintomas incluem febre alta, tosse seca, irritação nos olhos, mal-estar intenso e nariz entupido ou escorrendo. Pneumonia, encefalite e a morte são os desfechos mais graves da infecção.

““Estima-se que, nos surtos, para cada mil casos, uma pessoa morre. Além disso, o sarampo leva a um quadro de depressão imunológica, que é como uma ‘amnésia imunológica’, e quem tem sarampo fica mais suscetível, por três a seis meses depois do quadro agudo, a outras doenças infecciosas”, completou Kfouri.”

A circulação do vírus propicia o aparecimento de surtos entre pessoas não vacinadas, de modo que um indivíduo infectado é capaz de transmitir a doença para até 18 pessoas, segundo a Opas. No Brasil, a vacina contra o sarampo é ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

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