Há 17 anos, a professora aposentada Edlamar Rosária da Silva Oliveira, de 60 anos, vive a angústia de não saber o que aconteceu com sua filha mais velha. A universitária Mayra da Silva Paula desapareceu no dia 3 de julho de 2009, em Goiânia, quando estava grávida. Após deixar uma carta para a mãe, no apartamento onde morava, revelando a gravidez, nunca mais foi vista.
“Eu preciso de uma solução. Preciso achá-la, viva ou morta”, desabafa Edlamar. O sumiço de Mayra, que tinha 20 anos na época, foi investigado pela Polícia Civil e pela Polícia Federal. O nome dela chegou a ser incluído na Difusão Amarela, lista da Interpol de alerta internacional para pessoas desaparecidas, diante da suspeita de que pudesse ter deixado o Brasil.
Nascida em Ceres e criada em Nova Glória, na região central de Goiás, Mayra estudava enfermagem em Goiânia. Edlamar contou que, no dia do desaparecimento, estava combinado que a filha a visitaria, como costumava fazer nas férias e feriados. “Levantei de manhã, fiquei esperando e nada de ela chegar. O dia todo, nada. Aí, eu fiquei doida. Ligava para todo mundo. Ninguém sabia dela”, relembra.
Na véspera do desaparecimento, Mayra foi vista pela proprietária do apartamento onde morava. Kênia, que morava ao lado, viu o carro do rapaz com quem Mayra se relacionava, Tiago Luis Tavares de Sousa, parado em frente ao prédio. Segundo Edlamar, os dois tinham um relacionamento conturbado e Tiago sabia da gravidez. Kênia relatou que, na véspera do sumiço, os dois tinham combinado de conversar sobre como contar a gravidez para a mãe.
Em depoimento à Polícia Civil, Kênia afirmou que viu Tiago no elevador do prédio e que Mayra saiu de casa com ele por volta das 23h15 do dia 2. Ao ser questionado sobre o paradeiro de Mayra, Tiago disse que não sabia onde ela estava. Edlamar insistiu, perguntando se não estava combinado que iriam juntos para Nova Glória, o que ele negou.
Tiago contou que conhecia Mayra há cerca de oito anos, mas que tiveram encontros amorosos apenas no final de 2008. Ele afirmou que a jovem lhe revelou em fevereiro que estava grávida e que ele era o pai da criança. Tiago disse que a última vez que viu Mayra foi na manhã do dia 3 de julho, quando ela pediu para ser levada a Nova Glória para contar à família sobre a gravidez.
Edlamar relata que, no dia 6 de julho, Kênia a avisou que havia recebido uma mensagem de texto do celular de Mayra, dizendo que estava bem e que havia deixado uma carta para a mãe. Na carta, Mayra contou que estava grávida de seis meses e que não teve coragem de enfrentar a mãe. A carta estava datada de 3 de junho, mas não se sabe se foi escrita um mês antes ou no dia do desaparecimento.
Em depoimento, Tiago afirmou que teve acesso à carta, mas não se lembrava do conteúdo. Mayra enfatizou o amor pela mãe e disse que estava em uma situação difícil. Edlamar fez de tudo para encontrar a filha, mas a investigação, que começou em Ceres, passou por vários delegados e não teve resultados. O advogado da família, Breyder Ferreira da Silva, explicou que a investigação foi conduzida pelo delegado Jorge Moreira da Silva, que morreu em um acidente de helicóptero em 2012.
A busca desesperada de Edlamar levou-a a procurar a Polícia Federal, considerando a possibilidade de tráfico humano. A PF encaminhou a documentação para a difusão do nome de Mayra na lista amarela, que está válida até 13 de maio de 2031. O exame de gravidez obtido por Edlamar indicou que Mayra estava entre o sexto e o sétimo mês de gestação quando desapareceu.
Tiago, em depoimento, disse que não acreditava que Mayra tivesse sido vítima de crime e achava que ela estava escondida, esperando o nascimento do bebê. Edlamar, que tem outra filha de 18 anos, deseja que o desaparecimento de Mayra seja solucionado. “Eles têm que retomar a investigação para saber o que aconteceu com ela e onde ela está. Esse é o meu desejo… para eu voltar a viver, sabe?”, afirmou.
O advogado Breyner explicou que a investigação foi arquivada pela Justiça Federal, mas a família solicitou que o caso voltasse para o âmbito estadual, o que foi negado. O g1 questionou a Procuradoria da República em Goiás sobre o arquivamento, mas não obteve retorno. Qualquer pessoa que tiver informação sobre o paradeiro de Mayra pode entrar em contato com a Polícia Civil pelo número 197.


