A Justiça Federal condenou o empresário Aparecido Naves Junior e outros quatro réus pelo incêndio de dois helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ocorrido em 24 de janeiro de 2022, no Aeroclube de Manaus. As aeronaves eram utilizadas em operações de fiscalização contra o garimpo ilegal na Amazônia.
Segundo a sentença da juíza Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, publicada em 5 de março, o ataque foi uma retaliação às ações de combate ao garimpo em terras indígenas. A magistrada apontou Naves Junior como “autor intelectual e financiador dos crimes”.
““Aparecido Naves Júnior demonstra ousadia em desafiar a legítima aplicação da lei, em região (Floresta Amazônica) que enfrenta dificuldades logísticas e estruturais para adequada governança florestal, fundiária, mineral e para proteção dos povos indígenas. Demonstra inquestionável desdém pelo Estado de Direito”, diz um trecho da decisão.”
Na ação, também foram condenados os réus: Fernando Warlison Pereira Pereira e Arlen da Silva, responsáveis por atear fogo nas aeronaves; Wisney Delmiro, identificado como intermediário; e Edney Fernandes de Souza, condenado apenas pelo incêndio, mas absolvido do crime ambiental por falta de provas. O réu Thiago Souza da Silva foi absolvido totalmente, após a juíza aplicar o princípio da dúvida, considerando insuficientes as provas contra ele.
O tempo de sentença de cada condenado não foi informado. A juíza classificou o crime como incêndio majorado, destacando o risco de explosão no aeródromo. O prejuízo à União foi estimado em R$ 10 milhões. Um dos helicópteros ficou totalmente destruído e o outro permaneceu 36 dias fora de operação para reparos, comprometendo a capacidade de fiscalização ambiental em áreas remotas da Amazônia.
Os dois helicópteros do Ibama, que estavam estacionados no Aeroclube de Manaus, foram incendiados por dois suspeitos. Dias após o crime, a Polícia Federal prendeu seis pessoas envolvidas e descobriu a motivação do ataque. Vídeos obtidos pela Polícia Federal revelam a preparação para o incêndio, mostrando o carro usado pelos suspeitos chegando pela Avenida Torquato Tapajós e dois homens com galões de combustíveis.
O então superintendente da PF no Amazonas, Leandro Almada, informou que as investigações constataram o vínculo do empresário com atividade ilegal de garimpo na terra indígena Yanomami, em Boa Vista (RR). “A motivação do crime foi o prejuízo que ele sofreu em ações de fiscalização tanto do Ibama, com utilização dessas aeronaves, quanto da Polícia Federal, no decorrer de 2021”, disse.

