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Leitura: Quem foi Tia Eva, fundadora do primeiro quilombo tombado no Brasil?
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Cultura

Quem foi Tia Eva, fundadora do primeiro quilombo tombado no Brasil?

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de março de 2026 16:34
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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A Comunidade Tia Eva, localizada em Campo Grande (MS), foi reconhecida oficialmente como o primeiro quilombo tombado no Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 10 de março de 2026.

Tia Eva, nome de Eva Maria de Jesus, foi uma mulher negra que conquistou sua liberdade no final do século XIX e fundou a comunidade em 1905. Atualmente, o local abriga cerca de 250 famílias descendentes e é um símbolo de resistência da população negra em Mato Grosso do Sul.

Eva nasceu em Mineiros (GO) e, após ser escravizada, mudou-se para Campo Grande com suas três filhas. Ela comprou um terreno e formou uma comunidade, atuando como parteira, benzedeira, curandeira e professora. Tia Eva também construiu a primeira igreja da comunidade, que deu origem à atual Igreja de São Benedito, um importante símbolo cultural local.

A Festa de São Benedito, que celebra a vida de Tia Eva, começou em 1919. A celebração anual ocorre em maio e inclui missas, apresentações culturais e torneios de futebol amador. Ronaldo Jeferson da Silva, presidente da Associação de Descendentes de Tia Eva, enfatiza a importância de manter a tradição.

O reconhecimento da Comunidade Tia Eva como patrimônio cultural foi resultado de um pedido feito pela própria comunidade em 2024. O Iphan trabalhou com os moradores para registrar as tradições e histórias locais, culminando no tombamento.

João Henrique dos Santos, superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, destacou que o tombamento fortalece a presença do Estado na comunidade e ajuda a preservar as tradições para futuras gerações.

A Igreja de São Benedito, construída em 1919, passa por restauração e será parte de um novo complexo comunitário, com investimento de mais de R$ 2,2 milhões. A previsão é que o complexo seja entregue até junho de 2027, em comemoração ao centenário de Tia Eva.

A arquiteta Raíssa Almeida Silva, moradora da comunidade, expressou a emoção da comunidade com o tombamento, que traz visibilidade à história de Tia Eva e fortalece a preservação de suas tradições.

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