Uma fotografia de um menino acenando para a mãe antes de ir à escola, onde seria morto, tornou-se um símbolo das crianças mortas como ‘mártires’ na guerra, segundo o governo iraniano. A imagem retrata Mikaeil Mirdoraghi momentos antes de deixar sua casa no dia 28 de fevereiro, data que marcou o início do conflito, desencadeado por ataques americanos e israelenses contra o Irã.
O garoto foi morto após uma explosão nas proximidades da Escola Primária Imam Reza, em Abyek, na província de Qazvin, a oeste de Teerã. Imagens de câmeras de segurança mostram dezenas de estudantes no pátio quando uma forte detonação ocorre, estilhaçando janelas e provocando correria entre as crianças.
A mãe de Mikaeil, em entrevista ao jornal Hamshahri, relatou que o filho pediu para ser fotografado antes de sair de casa. Na noite anterior, ele havia elogiado o jantar da família, dizendo: ‘Mãe, a comida que você fez tem gosto de paraíso’. Mais tarde, brincou com o irmão antes de dormir. Desde então, a fotografia circula intensamente nas redes sociais e em canais ligados ao governo de Teerã.
Ferramentas de verificação indicam alta probabilidade de que a imagem seja autêntica, um dado relevante em meio à quantidade de conteúdos manipulados que circulam durante a guerra. A autoria do bombardeio que atingiu a área da escola está sob investigação. O jornal The Times, com auxílio de um especialista em geolocalização, concluiu que o alvo provável do ataque era uma torre de comunicações localizada a menos de 120 metros do parque infantil da escola, que foi reduzida a escombros após a detonação.
Um vídeo do momento mostra uma criança caindo no chão perto de uma trave de gol, aparentemente atingida por destroços. A agência de notícias Tasnim identificou o menino como Mahyar Zanganeh, afirmando que ele não sobreviveu. No mesmo dia, outro bombardeio atingiu uma escola para meninas em Minab, no sul do Irã, resultando em pelo menos 175 mortos.
Organizações de professores iranianos se manifestaram sobre os ataques. Shiva Amelirad, representante internacional do Conselho Coordenador dos Sindicatos de Professores Iranianos, afirmou que o contato com membros ativos na província de Qazvin ainda não foi possível devido às interrupções da internet em todo o país. Ataques deliberados a escolas e estruturas civis são considerados crimes de guerra de acordo com o direito internacional.


