A operação realizada na terça-feira (10) contra uma quadrilha de tráfico internacional de drogas é considerada por procuradores do Ministério Público Federal um bom modelo para enfrentar facções criminosas com cooperação internacional.
O debate sobre o tema se intensifica com a avaliação dos Estados Unidos sobre a possibilidade de declarar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Autoridades brasileiras expressam receio de que tal declaração possa abrir brechas para intervenções americanas em assuntos nacionais.
A Operação Costeau foi conduzida por uma equipe conjunta de investigação, composta por procuradores brasileiros e pela Jurisdição Inter-regional Especializada da cidade de Rennes, na França, que inclui integrantes do Ministério Público e do Judiciário locais. A ação contou também com a participação da Agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal (Eurojust).
A cooperação se estabeleceu após autoridades francesas identificarem indícios de participação de integrantes do PCC em um esquema que levava drogas à costa francesa. Segundo os procuradores brasileiros, o tráfico de drogas no Porto de Santos é dominado pela facção, que, mesmo não estando diretamente envolvida, dá o aval para o uso do porto como rota.
No episódio que deflagrou a investigação, autoridades francesas encontraram droga acondicionada no casco de um navio cargueiro que havia passado pelo porto. As embalagens apresentavam dispositivos de rastreamento, indicando o monitoramento da carga ao longo do trajeto.
Procuradores afirmam que a operação demonstra que já existem instrumentos disponíveis para a atuação conjunta no combate às facções, incluindo a colaboração com os Estados Unidos. A classificação das facções como organizações terroristas poderia ter impactos diplomáticos, afetando acordos comerciais e a capacidade de investigação.


