Um relatório da Secretaria de Estado de Saúde (SES) revelou que, em 2025, foram coletados 262 barbeiros, insetos transmissores da doença de Chagas, em 21 municípios de Mato Grosso do Sul. Entre as cidades, Campo Grande se destacou com 49 exemplares encontrados.
Dois insetos coletados em Anastácio testaram positivo para o protozoário Trypanosoma cruzi, responsável pela doença. Apesar dessa detecção, a SES informou que não há registro de transmissão da doença em humanos no estado.
O monitoramento é realizado por meio de um boletim entomológico, que é divulgado regularmente pela Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores. Este boletim apresenta a presença dos insetos e os resultados das análises laboratoriais dos exemplares coletados. A presença do barbeiro, por si só, não indica que haja transmissão da doença.
Os triatomíneos, conhecidos como barbeiros, são insetos que se alimentam de sangue de animais e de pessoas. A transmissão da doença de Chagas não ocorre pela picada, mas pelas fezes ou urina do inseto, que podem conter o protozoário Trypanosoma cruzi. Quando a pessoa coça o local da picada, o parasita pode entrar no organismo pela pele ou por mucosas.
Esses insetos habitam principalmente áreas rurais e podem aparecer em residências devido a alterações no ambiente, como desmatamento. Os barbeiros são noturnos e costumam se esconder em frestas de telhados, chiqueiros, currais, ninhos de galinhas ou pássaros e até em casinhas de cachorro. Uma fêmea pode viver até um ano e colocar entre 100 e 350 ovos durante seu ciclo de vida.
A SES mantém vigilância para identificar a presença do inseto e reduzir riscos. As ações incluem identificação das espécies coletadas, exames parasitológicos e orientações técnicas aos municípios. Técnicos da secretaria afirmam que encontrar o inseto não significa que a doença esteja presente, mas reforça a importância do monitoramento.
A SES esclareceu que o estado não é considerado endêmico para a doença de Chagas, mas a vigilância continua ativa. “Mato Grosso do Sul não é um estado endêmico, então não há motivo para alarde. Mas mantemos vigilância constante. Os 79 municípios realizam pesquisas de triatomíneos nas áreas rurais, e a população também pode colaborar informando quando encontrar o inseto”, afirmou a secretaria.
De acordo com o médico infectologista Maurício Pompilio, a doença de Chagas pode ocorrer também pelo consumo de alimentos contaminados ou por transfusão de sangue. A doença pode afetar diferentes órgãos do corpo, principalmente o coração e o sistema digestivo. Existe tratamento com medicamentos, mas os danos causados em fases mais avançadas costumam ser difíceis de reverter.
““Depois de muitos anos, a doença pode causar problemas cardíacos, com aumento do tamanho do coração. A pessoa passa a ter falta de ar, inchaço nas pernas, barriga estufada, palpitações e até desmaios. Em outros casos, pode afetar o sistema digestivo, provocando dilatação do intestino, com constipação severa, ou do esôfago, causando dificuldade para engolir”, explicou o médico.”
Para prevenir a doença, especialistas recomendam cuidados em áreas rurais ou durante atividades como trilhas e acampamentos. “Se a pessoa for fazer um passeio ou acampamento em área rural, é importante observar o ambiente e, se possível, utilizar repelente. Hoje é fácil encontrar imagens do inseto na internet para reconhecer o barbeiro”, orientou o infectologista.
O monitoramento da Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores é realizado por unidades localizadas em Campo Grande, Dourados, Jardim e Três Lagoas. Os laboratórios recebem insetos enviados pelos municípios para identificação e exames relacionados à doença de Chagas.

