Senadores dos EUA pedem investigação sobre ataque a escola no Irã

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Quase todos os senadores do Partido Democrata nos Estados Unidos assinaram uma carta ao Pentágono pedindo explicações sobre o bombardeio que atingiu uma escola feminina no Irã em 28 de fevereiro. O documento foi enviado ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, nesta quarta-feira, 11.

A carta, que conta com 46 assinaturas, solicita uma “investigação rápida e completa” sobre o ataque à escola na cidade de Minab, no sul do Irã, ocorrido no primeiro dia da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.

““Os resultados deste ataque à escola são horríveis. A maioria das vítimas fatais eram meninas entre 7 e 12 anos de idade”, afirmam os senadores no texto.”

Nem Washington nem o governo israelense assumiram formalmente a responsabilidade pelo bombardeio. No entanto, investigações preliminares e análises independentes indicam que o ataque partiu de forças americanas. Os parlamentares também questionam se forças americanas participaram diretamente do ataque e qual foi o papel de ferramentas de inteligência artificial no planejamento das ações militares.

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Nenhum senador republicano assinou a carta. O partido do presidente Donald Trump, que controla 53 das 100 cadeiras do Senado, tem apoiado amplamente a estratégia da Casa Branca no conflito, com poucas manifestações de dissidência.

A iniciativa dos democratas ocorre em meio a um embate político em Washington sobre a condução da guerra. A carta foi enviada uma semana após os republicanos do Senado bloquearem uma resolução bipartidária que buscava interromper a campanha aérea e exigir que qualquer ação militar contra o Irã fosse previamente autorizada pelo Congresso.

Todos os integrantes da bancada democrata, exceto John Fetterman, que não assinou a carta, votaram a favor da proposta.

Uma investigação militar preliminar citada pelo The New York Times indica que forças americanas provavelmente foram responsáveis pelo bombardeio que atingiu a escola primária Shajarah Tayyebeh, resultando em ao menos 175 mortos, muitos deles crianças. O ataque pode ter sido um erro de direcionamento durante bombardeios contra uma base iraniana próxima.

Autoridades afirmaram que os militares dos Estados Unidos utilizaram coordenadas desatualizadas para definir o alvo do ataque. O prédio da escola estava ao lado de um complexo operado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e foi atingido durante bombardeios simultâneos contra a instalação militar.

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Além disso, análises de vídeos e fotos divulgados nas redes sociais, verificadas por especialistas em geolocalização, indicam que a escola e a base naval próxima foram atingidas praticamente ao mesmo tempo, por volta das 11h30 no horário local (5h30 em Brasília).

Forças israelenses e americanas dividiram os alvos da campanha militar contra o Irã por região e tipo de instalação. Enquanto Israel concentrou seus ataques em bases de lançamento de mísseis no oeste do país, os Estados Unidos ficaram responsáveis por alvos semelhantes e pelo aparato naval iraniano no sul, onde fica a escola atingida.

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