O pesquisador Peter Kazansky acredita que os ‘cristais de memória’ podem ser a chave para o futuro do armazenamento de dados. Durante uma visita ao Japão em 1999, Kazansky observou um fenômeno físico intrigante no laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, onde cientistas testavam a gravação em vidro usando lasers ultrarrápidos.
A técnica revelou que a luz se dispersava de maneira inesperada, desafiando as leis da física. Kazansky, professor da Universidade de Southampton, descreve a descoberta como um ‘autêntico momento Eureka’. Os pesquisadores encontraram nanoestruturas ocultas no vidro de sílica, criadas por microexplosões geradas pelos lasers.
Essas estruturas, mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, permitem a impressão de padrões complexos em materiais transparentes. Kazansky explica que a técnica possibilita armazenar dados em cinco dimensões, utilizando a orientação e a intensidade da luz, além da localização de voxels.
Os cristais de memória requerem energia apenas para o processo de escrita, sem necessidade de energia adicional para manutenção. Teoricamente, um disco de vidro de cinco polegadas pode armazenar até 360 terabytes (TB) de dados. Os discos são feitos de vidro de sílica fundida, conhecido por sua durabilidade.
Em 2024, Kazansky fundou a empresa SPhotonix para comercializar sua ideia, que recentemente completou uma rodada de financiamento de US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 23,2 milhões). A SPhotonix já está em contato com empresas de tecnologia para testar protótipos em centros de dados nos próximos dois anos.
Atualmente, a empresa alcança uma velocidade de leitura de cerca de 30 MB por segundo, com planos de aumentar essa velocidade para 500 MB por segundo nos próximos três a cinco anos. Kazansky destaca que o objetivo é aperfeiçoar a tecnologia para garantir sua robustez em aplicações práticas.

