Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia da Desigualdade (Made) da Universidade de São Paulo (USP) revelou que, mesmo desempregadas, as mulheres trabalham três vezes mais em tarefas domésticas do que os homens. A pesquisa, intitulada “Escala 7×0”, analisou dados da Pnad Contínua, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE.
Os dados mostram que, na média, as mulheres dedicam 21,3 horas semanais a trabalhos domésticos, enquanto os homens gastam apenas 8,8 horas. Isso resulta em uma carga total de trabalho de 58,1 horas para as mulheres e 50,3 horas para os homens, uma diferença de 8 horas, ou 16% a mais para elas.
Quando analisados os desempregados, as mulheres dedicam 26,7 horas semanais a tarefas domésticas, enquanto os homens apenas 9 horas. Isso significa que, mesmo sem trabalho remunerado, as mulheres passam cerca de 3h48 por dia em atividades domésticas, enquanto os homens dedicam apenas 1h17.
O estudo também separou os dados por grupos de perfil de emprego semelhante. Para aqueles com jornadas superiores a 40 horas semanais, as mulheres trabalham 44,4 horas remuneradas e 19,5 horas em casa, enquanto os homens trabalham 45,6 horas e 8,7 horas em tarefas domésticas. Assim, as jornadas totais são de 63,8 horas para as mulheres e 54,3 horas para os homens.
As pesquisadoras Clara Saliba, Luiza Pires, Débora Nunes e Laís Assenço Paulino destacam que, para as mulheres, uma menor jornada de trabalho remunerado é compensada com mais horas em trabalho doméstico. Já para os homens, a carga de trabalho dos cuidados permanece estável, independentemente da jornada remunerada.
O trabalho não remunerado inclui tanto o cuidado direto, como auxiliar na alimentação e higiene, quanto o cuidado indireto, como cozinhar e limpar.


