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IA identifica dor em recém-nascidos e auxilia médicos na UTI

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Engenheiros do Centro Universitário FEI e pediatras da Unifesp desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial que identifica o nível de dor de recém-nascidos internados em UTIs.

A tecnologia utiliza modelos multimodais de linguagem e visão, integrando imagens e textos para interpretar expressões faciais dos bebês com mais precisão e menos subjetividade.

““Como a dor é um fenômeno subjetivo e o bebê ainda não consegue se comunicar verbalmente, ele depende essencialmente da observação de terceiros. Em UTIs neonatais, utilizamos escalas de dor, mas elas são muito subjetivas”, afirma Ruth Guinsburg, professora de pediatria neonatal da Unifesp.”

A pesquisa, financiada pela Fapesp, foi publicada na revista Pediatric Research e demonstrou que o sistema de inteligência artificial supera técnicas tradicionais de deep learning na identificação de estados de dor e conforto.

O modelo não precisa ser treinado separadamente para cada tarefa, o que amplia sua aplicabilidade clínica. “Até pouco tempo atrás, se utilizavam modelos clássicos de machine learning que exigiam um banco de dados enorme e específico para cada tarefa”, explica Carlos Eduardo Thomaz, professor da FEI.

Um bebê internado em uma UTI neonatal pode ser submetido a até 13 procedimentos dolorosos por dia, como punções e cirurgias. “Essas intervenções são vitais, mas causam dor. Por isso, é essencial equilibrar necessidade clínica e sofrimento”, ressalta Guinsburg.

““Hoje se sabe o exato oposto: por serem imaturos neurologicamente, eles são ainda mais vulneráveis aos efeitos adversos dos estímulos dolorosos”, diz Guinsburg.”

Os pesquisadores acreditam que a ferramenta de IA pode transformar sinais subjetivos em parâmetros objetivos, atuando como um “fiel da balança” na avaliação clínica. A expectativa é que, no futuro, a ferramenta possa emitir alertas em tempo real.

““No cérebro em desenvolvimento, tanto a dor não tratada quanto o excesso de medicação podem ser neurotóxicos”, ressalta Guinsburg.”

Para o engenheiro Lucas Pereira Carlini, o impacto da IA vai além da performance técnica. “Buscamos sempre mais precisão, mas é importante lembrar: o que cada ponto percentual de acerto representa para um bebê?”, conclui.

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