O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) deflagrou uma operação na manhã desta quinta-feira, 12 de março de 2026, para investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro público na casa de R$ 50 milhões. O caso envolve a Secretaria de Educação do Distrito Federal e um deputado distrital.
Um dos alvos da operação é o deputado Hermeto (MDB), que é líder do governo Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa do DF (CLDF). Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos no gabinete do parlamentar na CLDF, na Secretaria de Educação e na residência do deputado.
No total, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em diferentes locais, incluindo o Distrito Federal, São Paulo, Goiás e Tocantins. A operação também abrange um empresário em São Paulo.
De acordo com relatórios da Polícia Civil, o deputado Hermeto teria direcionado verba pública para um galpão abandonado, com a intenção de transformá-lo em escola, mesmo havendo uma unidade escolar pronta ao lado. O dinheiro teria sido utilizado para aluguel e reforma do local, que anteriormente era uma concessionária e pertence a um empresário de São Paulo, também investigado.
A ação é realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com o apoio da Polícia Civil. As investigações indicam que o deputado Hermeto teve um papel decisivo na articulação do esquema, intermediando o contato com o então secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, para garantir a assinatura de um contrato considerado fraudulento.
O relatório do MPDFT afirma que Hermeto exerceu influência determinante para que o processo administrativo avançasse, apesar das irregularidades. A equipe do deputado foi contatada, mas ainda não houve retorno. O governo do DF também não se manifestou até o momento.
A atual secretária de Educação não é alvo da investigação. Segundo o Gaeco, o esquema envolve a locação fraudulenta de um imóvel privado no Setor de Motéis da Candangolândia, destinado a abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) da Candangolândia e a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante.
Para justificar a mudança, a então Coordenadora Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante iniciou um processo administrativo alegando que o prédio público original estava em condições precárias e condenado à demolição, sem apresentar laudo técnico que comprovasse essa situação. Outros servidores da Secretaria de Estado de Educação do DF apoiaram essa narrativa, dando continuidade ao procedimento ilegal.
O MPDFT aponta que, após mais de cinco anos, o mesmo imóvel público se tornou alvo de um contrato de reforma firmado em 2025, no valor de aproximadamente R$ 12 milhões. Assim, o Poder Público gastou mais de R$ 19 milhões em aluguéis por um prédio que poderia ter sido reformado por um valor inferior, enquanto o edifício original permanece de pé e, teoricamente, em obras.


