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Operação mira rede que vendia armas e carregadores feitos em impressoras 3D

Amanda Rocha
Tempo: 6 min.

Agentes da PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) e do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) cumpriram mandados nesta quinta-feira (12) contra integrantes e compradores de um esquema interestadual de produção e venda de material bélico fabricado em impressoras 3D. A ação faz parte da Operação “Shadowgun”, realizada em conjunto com o MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública).

Segundo as investigações conduzidas pelo CyberGAECO (Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público) e pela 32ª DP (Taquara), dos cinco mandados de prisão, quatro já foram cumpridos. Além disso, as equipes também cumprem 36 mandados de busca e apreensão em 11 estados do país, em endereços ligados tanto a integrantes do grupo quanto a compradores do material.

As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba. Forças de segurança de Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Roraima também auxiliam no cumprimento de ordens judiciais. A operação conta ainda com cooperação de órgãos internacionais.

De acordo com as autoridades, cinco integrantes da organização criminosa foram denunciados à Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

““As investigações tiveram início após um órgão internacional enviar ao CIBERLAB um alerta sobre um usuário de rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos produzidos por impressão 3D”, disseram as autoridades.”

A partir desse compartilhamento de informações, os investigadores identificaram a atuação de um grupo estruturado voltado à produção e disseminação de armamentos conhecidos como “armas fantasmas”, que não possuem número de série ou registro oficial e podem ser montadas com peças de fácil acesso.

Segundo a apuração, o líder da organização é um engenheiro especializado em controle e automação, apontado como o principal responsável pelo desenvolvimento técnico do armamento. Utilizando pseudônimo na internet, ele divulgava testes balísticos, atualizações de design e orientações detalhadas sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas.

O suspeito produziu e distribuiu um manual com mais de 100 páginas, descrevendo todas as etapas para fabricação das armas. O material permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D montassem o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo.

As apurações apontaram que o principal produto disseminado pela organização era um modelo de arma semiautomática produzido com peças impressas em 3D combinadas a componentes não regulamentados. O projeto foi divulgado na internet acompanhado de um manual técnico e de um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas.

O conteúdo circulou em redes sociais, fóruns e ambientes da dark web, ampliando a difusão do modelo e criando uma rede de usuários interessados na produção das chamadas armas fantasmas. Segundo os investigadores, além da divulgação técnica, o líder participava de debates online, incentivava a produção das armas e utilizava criptomoedas para financiar as atividades.

A investigação também identificou outros três integrantes com funções específicas dentro do grupo. Um deles prestava suporte técnico direto aos interessados na fabricação das armas; outro atuava como divulgador e analista do projeto; e o terceiro era responsável pela propaganda e pela identidade visual utilizada na divulgação do material.

Entre os produtos comercializados estavam carregadores alongados para pistolas de diferentes calibres, produzidos em impressoras 3D na residência do principal investigado. O material era vendido em plataformas online. Segundo a investigação, entre 2021 e 2022, pelo menos 79 compradores adquiriram peças produzidas pelo grupo.

Nos anos seguintes, as negociações teriam passado a ocorrer por meio de outros canais digitais. Os compradores identificados estão distribuídos em 11 estados brasileiros. Parte deles possui antecedentes criminais, incluindo registros relacionados ao tráfico de drogas e outros crimes.

No estado do Rio de Janeiro, foram identificados dez compradores em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital. As equipes da 32ª DP (Taquara) cumprem seis mandados de busca e apreensão no estado, incluindo endereços no interior, na Região dos Lagos e em bairros da capital, como Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca.

A ação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Militar. A Polícia Civil também enviou equipes a São Paulo para cumprir os mandados de prisão contra o líder do grupo e outros integrantes investigados. As diligências continuam em diferentes estados com apoio das polícias civis locais.

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