A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), indica um empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível segundo turno.
O cientista político Alberto Carlos Almeida afirmou em entrevista que, para se tornar favorito, Lula deve atender diretamente ao bolso do eleitor. Segundo Almeida, as políticas públicas do atual governo não têm sido eficazes para conquistar o apoio necessário.
Almeida destacou que a proposta de isenção do imposto de renda beneficia mais eleitores de classe média do que os mais pobres, que tradicionalmente compõem a base eleitoral do PT. Ele explicou: “A política pública do ponto de vista de tentar obter apoio para Lula não foi uma política pública muito bem desenhada, porque quem paga imposto de renda no Brasil, ou quem tem que declarar imposto de renda no Brasil, são pessoas que não são pobres, é uma minoria.”
O especialista ressaltou que o PT sempre teve maior penetração entre o eleitorado de baixa renda. “Quanto menor a renda, maior a chance de votar em Lula, maior a chance de votar no PT. E o PT desenhou uma política pública que favorece mais o eleitor de Bolsonaro. Esse eleitor aplaudiu, mas, na hora H, vai votar naquele que ele prefere”, afirmou.
Almeida comparou a situação atual com o período eleitoral anterior, lembrando as medidas adotadas que tiveram impacto direto no bolso dos eleitores, como os gastos com precatórios e isenção de combustíveis. “Tudo aquilo foi algo muito concreto no ano eleitoral e que atendeu à demanda, ao bolso do eleitor”, analisou.
Sobre a avaliação de Lula entre católicos e evangélicos, que também apresentou queda segundo a pesquisa, Almeida observou que, embora a aprovação entre católicos seja sempre maior que entre evangélicos, a tendência de melhora ou piora na avaliação afeta todos os grupos proporcionalmente.
“O que Lula tem que fazer, caso ele queira se tornar favorito, é atender diretamente ao bolso do eleitor, gastando nessa reta final”, concluiu Almeida, alertando que essa estratégia pode gerar preocupações no mercado financeiro quanto à situação fiscal do país.

