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Guerra no Oriente Médio pressiona diesel e custos do agronegócio no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A guerra no Oriente Médio está afetando o agronegócio brasileiro, especialmente com o aumento do preço do diesel. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma alta no petróleo no mercado internacional, refletindo diretamente nos custos logísticos do setor agrícola, que se intensificam durante a colheita de grãos.

Produtores e entidades do setor relatam aumentos considerados injustificados no preço do diesel e no transporte da safra. “Recebemos relatos de produtores reportando aumento de R$ 1 no preço do diesel na bomba, o que vemos como um exagero”, afirmou Bruno Lucchi, diretor técnico da entidade.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17% (B17) para reduzir a dependência do petróleo importado e mitigar possíveis altas no combustível. A entidade também pediu um corte emergencial e provisório nos tributos sobre o diesel.

João Martins, presidente da CNA, destacou que “o momento é especialmente delicado para o setor agropecuário, que atravessa o período de plantio e colheita da segunda safra”. O aumento do custo do combustível impacta diretamente as despesas de produção e o ritmo da atividade econômica.

Durante a colheita da soja e o plantio da segunda safra de milho, o consumo de diesel é mais intenso. Estima-se que combustíveis e lubrificantes representem cerca de 5% do custo operacional das fazendas na colheita de soja. Se os preços continuarem a subir, o impacto também afetará a cana-de-açúcar, onde o uso de combustíveis pode chegar a 20% do custo de produção.

Fernando Bastiani, pesquisador da Esalq/USP, afirmou que o comportamento do petróleo nas próximas semanas será crucial para o transporte agrícola. “Se o Brent se mantiver próximo a US$ 100 o barril, o preço do diesel pode subir cerca de 20%, o que pode aumentar os fretes em torno de 10%”, disse.

A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) informou que, considerando os preços do petróleo, a Petrobras está vendendo o diesel no Brasil 85% mais barato do que o praticado no mercado internacional.

O conflito no Oriente Médio também impacta o transporte marítimo global, com o tráfego comercial de petróleo pelo Estreito de Ormuz paralisado. “Subiu seguro, combustível e frete marítimo. Isso acontece quase em tempo real e muda a composição do preço das mercadorias”, afirmou João Marcelo Dumoncel, empresário do setor de grãos.

Especialistas alertam que parte desses custos pode ser repassada ao longo da cadeia produtiva, resultando em preços menores para os produtores rurais ou custos maiores na logística de exportação. O frete interno representa entre 65% e 70% do custo logístico total do exportador de grãos no Brasil.

Antes da guerra, o agronegócio brasileiro já enfrentava restrições logísticas. Caminhões carregados com soja enfrentavam filas de mais de 25 quilômetros para descarregar nos terminais de grãos em Miritituba, no Pará, segundo a Abiove. O congestionamento se intensifica no pico da colheita, entre fevereiro e abril, período que eleva o fluxo de cargas e pressiona a logística de escoamento da produção agrícola.

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