A Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI) de Porto Alegre instaurou um inquérito para investigar supostos ataques homofóbicos em redes sociais contra Aquiles Barboza, peão de Centro de Tradições Gaúchas (CTG), produtor e gestor cultural de 45 anos.
Aquiles anunciou, em um vídeo, sua participação no I Congresso Brasileiro de Folcloristas, em São Paulo. A publicação gerou dezenas de comentários de cunho preconceituoso. O humorista conhecido como Salada compartilhou o vídeo em seu perfil e reagiu em tom de reprovação, afirmando:
“”Isso é inadmissível, cara. Como é que o cara me posta um vídeo… Com um áudio tão ruim””
.
O humorista, ao ser procurado, negou que sua intenção tenha sido atacar Aquiles. Ele afirmou:
“”Foi só uma brincadeira com o áudio do vídeo que estava circulando, pela qualidade mesmo. Em nenhum momento falei da orientação sexual do rapaz””
. Salada também disse que não concorda com comentários ofensivos e que já apagou vários, mas são muitos. Ele defendeu que seu objetivo foi apenas fazer humor sobre o vídeo.
O delegado Vinícius Nahan dos Santos informou que irá apurar se houve crime de homofobia nas redes sociais, que pode resultar em pena de 2 a 5 anos de prisão em caso de condenação. Ele explicou:
“”É preciso avaliar se houve a intenção de cometer algum crime e se, ao publicar o vídeo, o autor acabou ensejando que comentários depreciativos fossem feitos””
.
Aquiles registrou ocorrência policial, contratou advogado e está enviando ao delegado prints com as mensagens supostamente homofóbicas, buscando a responsabilização dos autores. Ele declarou:
“”Homofobia é crime e a internet não é local de impunidade. Não estou dando conta de printar e salvar links de perfis para alimentar o inquérito. Porém, da mesma forma que o material viralizou para que o pessoal disseminasse o ódio, também estou recebendo muita solidariedade””
.
O CTG Vaqueanos da Tradição, de Porto Alegre, ao qual Aquiles pertence, publicou uma manifestação de repúdio. No documento, a instituição afirma que não se calará diante de manifestações de ódio.
“”Nos entristece profundamente que, em um espaço destinado à valorização da cultura, do folclore e das tradições, ainda existam manifestações de preconceito e desrespeito. A cultura gaúcha é feita de pessoas, histórias e diversidade e deve ser um ambiente de acolhimento, respeito e orgulho para todos””
.
A nota do CTG Vaqueanos da Tradição também diz:
“”O CTG Vaqueanos da Tradição vem a público manifestar seu total repúdio aos comentários homofóbicos realizados a cerca da participação de Aquiles Barboza no I Congresso Brasileiro de Folcloristas. Atacar alguém por quem é, ou tentar diminuir sua participação por preconceito, é algo inadmissível. Nossa entidade não se calará diante de manifestações de ódio. Tradição não se sustenta no preconceito, mas no respeito entre as pessoas””
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