As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, com a alta persistente do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Isso ocorreu mesmo após os Estados Unidos e aliados anunciarem uma liberação recorde de petróleo de reservas emergenciais, além da liberação pela AIE (Agência Internacional de Energia).
As cotações do petróleo chegaram a saltar mais de 9% nesta madrugada, com o Brent ultrapassando brevemente a marca de US$ 100 por barril, após o Irã intensificar seus ataques. Na manhã desta quinta, a commodity subiu quase 8%, alcançando US$ 99,16.
Com a ascensão da commodity e o conflito, o índice japonês Nikkei caiu 1,04% em Tóquio, fechando a 54.452,96 pontos. O sul-coreano Kospi recuou 0,48% em Seul, a 5.583,25 pontos. O Hang Seng cedeu 0,70% em Hong Kong, a 25.716,76 pontos, e o Taiex registrou perda de 1,56% em Taiwan, a 33.581,86 pontos. Na China continental, o Xangai Composto teve ligeira baixa de 0,10%, a 4.129,10 pontos, e o Shenzhen Composto recuou 0,68%, a 2.725,35 pontos.
A bolsa australiana também ficou no vermelho, com o S&P/ASX 200 caindo 1,31% em Sydney, a 8.629,00 pontos. As bolsas europeias operam em baixa, ampliando as perdas do pregão anterior. Por volta das 6h40 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,40%, a 600,11 pontos.
Em um relatório mensal divulgado hoje, a AIE alertou que o conflito está provocando “a maior interrupção de oferta na história do mercado global de petróleo”. Investidores temem que o aumento do petróleo alimente a inflação e comprometa a perspectiva de crescimento global. Às 10h30 (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 0,33%, a de Paris recuava 0,40% e a de Frankfurt cedia 0,36%. As de Milão e Madri apresentavam perdas de 1,01% e 1,28%, respectivamente.
De acordo com o mercado, se a situação no Oriente Médio persistir, a inflação pode aumentar na Europa, que depende fortemente das importações de petróleo. “As ações europeias são vistas como tipos de ativos mais vulneráveis, já que a Europa é uma economia que consome muita energia, com muitas empresas de manufatura que dependem dos preços dos combustíveis”, disse Marija Veitmane, chefe de pesquisa de ações da State Street.
A alta da taxa de juros pelo Banco Central Europeu em julho já está precificada nos mercados acionários, com 85% de probabilidade de outro aumento em dezembro, uma mudança radical em relação às expectativas anteriores ao início do conflito, quando se apostava em um corte de juros.
Os futuros dos índices acionários dos Estados Unidos indicam que, assim como no resto do mundo, o pregão deve ser de perdas para Wall Street. Às 8h45, o futuro do S&P 500 caía 0,44%, enquanto o contrato futuro de Nasdaq tinha queda de 0,44% e o do Dow Jones recuava 0,55%. Os preços elevados do petróleo alimentam preocupações com a inflação e forçam os investidores a reduzir as expectativas de cortes nas taxas de juros dos EUA.
A situação pode se intensificar ainda mais com a onda de ataques a instalações de petróleo e transporte em todo o Oriente Médio. O Irã já alertou que os preços do petróleo podem subir para até US$ 200 por barril. O Goldman Sachs adiou sua previsão para o próximo corte nos juros pelo Federal Reserve para setembro, em comparação com uma expectativa anterior de junho.
“O problema é que os investidores estão cada vez mais precificando um conflito mais prolongado que cause grandes danos econômicos”, afirmaram estrategistas liderados por Jim Reid do Deutsche Bank. “Sem sinais concretos de redução das tensões, isso está mantendo os preços do petróleo elevados e aumentando o risco de um choque estagflacionário mais amplo.”
Parte da queda nos índices é puxada pelas ações de companhias aéreas, que são sensíveis aos preços do petróleo bruto, e estão a caminho de suas maiores perdas mensais em um ano. A American Airlines e a Southwest caíam mais de 1% cada uma nas negociações de pré-abertura desta quinta-feira, juntamente com os papéis das empresas de cruzeiros Norwegian e da Royal Caribbean.


