Alunas do Serviço Social da Indústria (Sesi) em Várzea Grande, Mato Grosso, desenvolveram um pincel arqueológico inteligente. A equipe Young Inventors conquistou o segundo lugar no Champion’s Award, competição nacional de robótica do 8º Festival SESI de Educação, realizado na Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera.
O projeto, que auxilia arqueólogos na limpeza de artefatos históricos, foi divulgado no Dia Internacional da Mulher e garantiu a classificação para representar o Brasil na etapa mundial, que ocorrerá em Houston, nos Estados Unidos, de 29 de abril a 2 de maio deste ano. O evento é uma das maiores competições de robótica da América Latina, com a participação de mais de 2,3 mil estudantes.
Gisele Moraes Reis, de 14 anos, uma das integrantes da equipe, expressou a alegria pela conquista, que representa meses de dedicação. No ano anterior, a equipe havia terminado na 33ª posição. Ela afirmou:
““Foi uma sensação muito boa porque sabíamos do impacto que nosso projeto poderia gerar. Esse prêmio mostra o amor que temos pelo que fazemos e o resultado de tanto tempo de trabalho.””
O pincel, chamado Archeobrush, controla a força aplicada durante o uso, evitando danos aos artefatos históricos. Carolina de Freitas, de 15 anos, também integrante da equipe, explicou:
““Identificamos que o uso de pincéis comuns exigia força manual excessiva, o que podia comprometer os artefatos. Pensando nisso, criamos o Archeobrush, que emite alerta sonoro e luminoso quando a pressão aplicada ultrapassa o limite seguro.””
O projeto contou com o acompanhamento de arqueólogos e colaboradores do Instituto Homem Brasileiro, além de testes em laboratórios de arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Carolina destacou:
““Conseguimos ver o Archeobrush funcionando corretamente e preservando peças durante a visita aos laboratórios.””
O professor Robson Corrêa, técnico da equipe, ressaltou que o resultado é histórico e evidencia a força da participação feminina na robótica. Ele afirmou que o Archeobrush é uma tecnologia inovadora, sem similar no mercado. As alunas informaram que o pincel, produzido com termoplástico biodegradável e impresso em 3D, passou por cerca de 36 alterações em oito versões diferentes até chegar à versão final. Gisele comentou:
““Foi um processo longo, de estudo, criatividade e testes. Mas sabíamos da importância do projeto e nunca duvidamos da capacidade da equipe.””
A competição avaliou também o design do robô e os core values, que analisam trabalho em equipe, cooperação e inclusão. Na etapa nacional, as alunas melhoraram o desempenho do robô, conquistando 520 dos 545 pontos possíveis, um aumento de 120 pontos em relação à fase regional.
Agora, as alunas se preparam para a etapa mundial e destacaram a evolução da relação interpessoal da equipe. Elas afirmaram que encaram as provas com mais calma e foco.
““A evolução da equipe de uma temporada para outra foi significativa. Vamos fazer as melhorias necessárias nas áreas avaliadas e pretendemos mostrar nosso trabalho com ainda mais força.””


