Um tribunal da Rússia condenou à prisão perpétua, nesta quinta-feira (12), os quatro atiradores e mais onze cúmplices do ataque à casa de shows Crocus City Hall, em 2024, que resultou na morte de 150 pessoas perto de Moscou.
O ataque, ocorrido em 22 de março de 2024, foi o mais mortal na Rússia em quase 20 anos. Homens armados invadiram a casa de shows, atiraram contra a multidão e incendiaram o local. O atentado foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (ISIS) e é considerado o mais letal realizado pelo grupo no continente europeu.
Durante a audiência em Moscou, um juiz proferiu a sentença contra os quatro agressores — Shamsidin Fariduni, Dalerdjon Mirzoev, Makhammadsobir Faizov e Saidakrami Ratchabolizoda, todos cidadãos do Tajiquistão. O ataque ocorreu pouco antes de um show da banda de rock Picnic, e os atiradores também incendiaram o prédio, deixando muitas pessoas presas.
Além dos quatro atiradores, outros onze homens considerados cúmplices também foram condenados à prisão perpétua. Durante a leitura da sentença, os réus permaneceram de cabeça baixa, em uma cela, diante de agentes de segurança. A pena atendeu aos pedidos da promotoria.
Quatro homens, julgados separadamente por ligações com o terrorismo, receberam penas que variam de 19 anos e 11 meses a 22 anos e seis meses de prisão. Todo o julgamento ocorreu a portas fechadas até a leitura pública da sentença.
O ataque causou grande comoção na Rússia, deixando 150 mortos e mais de 600 feridos, incluindo crianças. O Kremlin acusou Kiev de estar envolvida, mas nunca apresentou provas, e as autoridades ucranianas negaram qualquer responsabilidade.
Após o ataque, a Rússia intensificou suas leis e seu discurso anti-imigração, gerando tensões com os países da região, apesar de um grande número de cidadãos da Ásia Central viver e trabalhar no país. Os quatro atiradores, com idades entre 20 e 31 anos na época, trabalhavam como taxistas, operários de fábrica ou trabalhadores da construção civil.
Poucas horas após o ataque, as autoridades afirmaram ter prendido os agressores enquanto tentavam fugir para Belarus e Ucrânia. Eles foram levados perante um juiz e apareceram diante das câmeras com os rostos machucados e sinais visíveis de tortura, sendo que um deles estava inconsciente em uma cadeira de rodas.
Além dos agressores, outras 15 pessoas foram julgadas por vender um carro para eles, alugar um apartamento e por outros crimes. Segundo a agência de notícias estatal TASS, dois desses supostos cúmplices pediram ao tribunal para serem enviados para lutar na Ucrânia, em vez de receberem sentenças de prisão perpétua, com um advogado explicando que seu cliente queria “redimir sua culpa com sangue”.
A Rússia tem sido alvo de inúmeros ataques nos últimos 30 anos, especialmente em Moscou e no Cáucaso russo. O exército russo travou duas guerras na Chechênia, nas décadas de 1990 e 2000, contra um movimento separatista que se tornou mais islamista, jurando lealdade ao Estado Islâmico em 2015. Embora a influência do grupo jihadista seja hoje limitada, ataques ainda ocorrem periodicamente, especialmente na Chechênia e no Daguestão.
O ataque à casa de shows foi o mais mortal desde a crise dos reféns na escola de Beslan, em setembro de 2004, que deixou 334 mortos, incluindo muitas crianças.


