O escândalo envolvendo o Banco Master tem causado um impacto significativo na credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma pesquisa recente indica que a maioria dos eleitores afirma que não votaria em pessoas associadas ao caso, mesmo que muitos não compreendam totalmente os detalhes da investigação.
A analista de política Clarissa Oliveira, durante o Live CNN desta quarta-feira (12), destacou que o levantamento reflete um “retrato do momento”, dado que o caso está em evidência na mídia. Ela observou que a formulação da pergunta na pesquisa, que menciona diretamente “escândalo”, influencia as respostas dos eleitores, que tendem a rejeitar candidatos associados a controvérsias, mesmo sem conhecer profundamente os fatos.
Segundo a pesquisa do Datafolha, a desconfiança sobre o STF e o Judiciário chega a 43%, atingindo um recorde. Já a pesquisa da Quaest revela que 71% dos eleitores que apoiam Lula confiam no STF, enquanto 84% dos apoiadores de Bolsonaro não confiam. O caso Master, portanto, desgasta a imagem do STF, dos governos Lula e Bolsonaro, do Banco Central e do Congresso.
Clarissa afirmou que a crise de credibilidade do STF é sem precedentes. Ao contrário de crises anteriores, que eram criticadas por grupos políticos específicos, o problema atual surge de dentro da própria instituição, com ministros diretamente mencionados em investigações de corrupção. Ela ressaltou que mesmo a população que tem dificuldade em compreender os detalhes técnicos do caso consegue perceber que há algo errado e que ministros do Supremo estão envolvidos.
Os nomes de dois magistrados importantes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, estão diretamente mencionados no inquérito. Clarissa lembrou que o STF já enfrentou momentos turbulentos, como os ataques às sedes dos três poderes durante os atos de 8 de janeiro de 2023. No entanto, na percepção popular, o cenário atual parece ainda mais grave.
“No meu entendimento, isso diz respeito ao envolvimento pessoal de ministros em uma denúncia de corrupção”, explicou. Ela também lembrou da importância da presunção de inocência e que ninguém deve ser julgado antes da conclusão das investigações. Contudo, do ponto de vista da imagem pública, o impacto da repercussão no STF é enorme e imediato.


