O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para capitalizar politicamente a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês. Apesar de ser considerada uma das principais vitórias do governo, a medida ainda não conquistou a aprovação dos brasileiros beneficiados, conforme mostram as pesquisas eleitorais recentes.
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 11 de março, revela que a popularidade do governo não melhorou com a nova tabela do Imposto de Renda. O percentual de brasileiros que afirmam ter sido beneficiados pela isenção subiu apenas de 30% para 31% no último mês. Entre aqueles que recebem entre dois e cinco salários mínimos, 62% dizem não ter sido beneficiados, enquanto 36% afirmam que foram. Em fevereiro, esses índices eram de 63% e 34%, respectivamente.
A rejeição ao governo Lula também aumentou, passando de 50% para 54% entre esse grupo, enquanto a aprovação caiu de 44% para 41%. A pesquisa Datafolha mostra que, na faixa de renda mencionada, a aprovação de Lula estagnou e a intenção de voto caiu em uma simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Em março, Flávio teria 48% dos votos contra 40% de Lula, um empate técnico dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais.
O cientista político da FGV, Marco Antônio Teixeira, aponta que a imagem do governo está em baixa devido a uma sucessão de crises, como o escândalo do INSS e questões relacionadas ao Carnaval. “Os episódios negativos conseguiram tomar mais agenda do que os episódios positivos”, afirma Teixeira.
Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Mackenzie, destaca que a demora para que os beneficiados sintam o impacto da isenção no bolso é outro fator que dificulta a conquista desse eleitorado. “Vai demorar para as pessoas sentirem esse dinheiro a mais na conta”, explica Prando.
A isenção do Imposto de Renda, aprovada em 2025, não se aplica à declaração que será entregue em 2026, o que significa que, embora o imposto não esteja sendo descontado, a declaração considerará as movimentações do ano anterior, quando a isenção era limitada a quem ganha até dois salários mínimos.
A rejeição histórica da classe média em relação a Lula e a preferência por candidatos associados à direita também contribuem para os resultados do Datafolha. “Historicamente, Lula sempre foi melhor em outras classes de renda”, observa Prando. Ele sugere que o governo precisa melhorar sua comunicação política para reverter essa situação.
Teixeira alerta que a possibilidade de reversão da rejeição de Lula entre as classes médias deve ser vista com cautela, especialmente em meio a crises internacionais que podem afetar o Brasil. “Estamos sujeitos a uma série de fatos que não sabemos muito bem quais serão”, conclui.


