O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, afirmou que a nova indústria de minerais críticos no Brasil não deve depender de subsídios públicos. A declaração foi feita durante o encontro anual do BID em Assunção, no Paraguai, no dia 12 de março de 2026.
Goldfajn destacou que, ao invés de recursos governamentais, a indústria precisa de segurança jurídica e um horizonte de longo prazo. Ele explicou: ‘Você aumenta a competitividade tendo demanda firme’. Essa fala é relevante em um momento em que o Congresso brasileiro discute um marco legal para o setor, com opiniões divergentes sobre o uso de renúncias fiscais.
O presidente do BID sugeriu que o modelo ideal incluiria cadeias seguras com contratos de longo prazo, de 20 a 30 anos, que garantam uma demanda estável. ‘Isso permite um investimento nos países que diminui a necessidade de subsídios’, afirmou Goldfajn.
Ele também ressaltou a importância de um setor público fiscalmente responsável, afirmando que ‘há uma avenida a explorar com contratos longos’. Goldfajn acredita que essa abordagem pode levar à competitividade necessária para o setor.
Durante o evento, o BID anunciou que os minerais críticos se tornarão uma nova frente de atuação da instituição, com o objetivo de financiar projetos que agreguem valor local à cadeia de produção, superando o modelo puramente extrativista.
Goldfajn mencionou que o BID é uma instituição com países sócios, incluindo os Estados Unidos, que detêm 30% do capital e dos votos nas decisões mais importantes. Ele foi questionado sobre a conciliação de interesses geopolíticos entre nações diversas no tema de minerais críticos e avaliou que ‘há um possível alinhamento de interesses’.
O presidente do BID concluiu que vários países do G7 e G20 estão interessados nesse tema, indicando a possibilidade de interesses comuns.


