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Operação investiga venda de armas produzidas em impressoras 3D em Minas Gerais

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) cumpriu mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (12) em Belo Horizonte, Betim e São José da Lapa, durante a Operação Shadowgun. A operação investiga um esquema interestadual de produção e comercialização ilegal de armas fabricadas por impressão 3D.

A investigação principal é conduzida pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Quatro homens foram presos, incluindo o chefe da quadrilha, encontrado em Rio das Pedras, São Paulo. Os agentes cumpriram cinco mandados de prisão e 36 de busca e apreensão em São Paulo, no Rio e em outros nove estados.

Os mandados foram cumpridos em Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. A investigação identificou uma organização criminosa dedicada ao desenvolvimento, produção e comércio de armas de fogo e acessórios fabricados com impressoras 3D, conhecidas como “ghost guns” ou “armas fantasmas”.

Essas armas não têm numeração de série e podem ser produzidas com equipamentos acessíveis, dificultando o rastreamento e aumentando os riscos à segurança pública. Os integrantes do grupo utilizavam a internet para compartilhar arquivos digitais e manuais de montagem, permitindo que outras pessoas reproduzissem as armas ilegalmente.

A organização utilizava sistemas de pagamento digitais com alto grau de dificuldade para rastreamento das transações financeiras. Esses recursos eram usados para comprar equipamentos e financiar as atividades do grupo. Apesar de divulgarem a produção de armamento como iniciativas de “código aberto”, parte dos integrantes fabricava e comercializava componentes físicos de armas produzidos por impressão 3D.

Os produtos eram anunciados em plataformas de comércio eletrônico e enviados pelos Correios para compradores em diversos estados. O cruzamento de dados indicou que parte dos destinatários possui antecedentes criminais, incluindo ligações com milícias e organizações associadas ao tráfico de drogas.

Com base nas provas reunidas, o MPRJ apresentou denúncia contra integrantes da organização pelos crimes de organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro. Entre os pedidos à Justiça está a condenação solidária dos investigados ao pagamento de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, devido ao risco causado pela disseminação de armamentos ilegais.

As medidas judiciais incluem prisões preventivas, buscas e apreensões e ações cautelares para interromper a produção e circulação clandestina desse tipo de armamento. A operação contou com a cooperação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI) e do Centro Integrado de Segurança Pública e Proteção Ambiental de Foz do Iguaçu (CISPPA-FIG).

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