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Vereadores são presos em operação da PF por financiamento ilícito de campanhas eleitorais

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Cinco vereadores de Morada Nova, no Ceará, foram presos nesta quinta-feira (12) durante a ‘Operação Traditori’, da Polícia Federal. A operação visa combater o financiamento ilícito de campanhas eleitorais por uma organização criminosa.

Entre os presos estão Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT), presidente da Câmara Municipal, e os vereadores Lucia Gleidevania Rabelo (PT), Claudio Roberto Chaves da Silva (PT), José Regis Nascimento Rumão (PP) e José Gomes da Silva Júnior (PSB), conhecido como Júnior do Dedé. Este último está licenciado e atua como secretário de administração da Prefeitura de Morada Nova desde setembro de 2025.

A defesa dos vereadores não foi localizada. A Câmara Municipal, composta por 15 vereadores, suspendeu suas atividades e divulgou um comunicado nas redes sociais informando sobre a situação. A vice-presidente da Câmara, Jane Martins, relatou que a sessão legislativa foi iniciada, mas encerrada por falta de quórum, sem comentar sobre as prisões.

A Prefeitura de Morada Nova afirmou que não é alvo da investigação e que não possui envolvimento com os fatos apurados. Em nota, a Prefeitura reafirmou seu respeito às instituições e ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação.

Além dos vereadores, Marco Antônio de Araújo Bica Júnior, atual superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), também é investigado, mas não foi preso. Ele foi candidato a prefeito de Morada Nova pelo PT em 2024 e é ex-vereador, tendo presidido a Câmara nos anos de 2021 e 2022.

A Sohidra informou que está apurando os fatos e realizando uma análise interna sobre a situação de Marco Antônio. A Polícia Federal revelou que os vereadores e agentes públicos investigados tiveram suas campanhas eleitorais de 2024 financiadas por uma facção criminosa, oferecendo vantagens políticas em troca.

A ‘Operação Traditori’ cumpriu 16 mandados de prisão preventiva, sendo cinco contra os vereadores, e 30 mandados de busca e apreensão em Morada Nova, Fortaleza, Chorozinho, Limoeiro do Norte, Pedra Branca e São Paulo. Os vereadores foram afastados de suas funções públicas.

A Justiça Eleitoral determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados para interromper o fluxo financeiro da organização criminosa. A investigação começou após dados compartilhados pela Delegacia de Morada Nova e pelo Departamento de Polícia do Interior Sul, revelando um esquema criminoso vinculado a uma facção responsável pela movimentação de recursos ilícitos para financiar campanhas eleitorais.

Os investigados são suspeitos de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e crimes eleitorais. A investigação conta com a participação da PF, Polícia Civil do Estado do Ceará, Polícia Militar do Ceará, Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará, Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará e Perícia Forense do Estado do Ceará.

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