O preço do diesel no Brasil aumentou 7% nesta quinta-feira, 12 de março de 2026. O governo anunciou uma série de medidas para tentar conter os efeitos da alta dos preços do petróleo na inflação e mitigar os riscos de desabastecimento do combustível.
Entre as medidas estão um decreto que zera as alíquotas do PIS/Cofins sobre o diesel, resultando em uma redução de R$ 0,32 por litro, e o aumento do imposto de exportação sobre o petróleo. Também foi anunciada uma medida provisória que prevê o pagamento de uma subvenção de R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores de diesel, além de novas ações para fiscalizar o repasse dos custos ao consumidor.
A alta dos preços do petróleo no mercado internacional, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, já começou a impactar os preços dos combustíveis nos postos. Uma pesquisa da Edenred Mobilidade revelou que os preços do diesel dispararam mais de 7% na primeira semana de março em comparação aos últimos sete dias de fevereiro.
O aumento dos preços do diesel gerou investigações pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após sindicatos do setor indicarem aumentos ou previsões de alta nos preços da gasolina e do diesel em várias regiões, mesmo sem alteração nos valores praticados pela Petrobras nas refinarias.
Os preços do diesel são influenciados por diversos fatores. A maior parte da composição de preços é atribuída à remuneração das refinarias, que representa 45,5%. O ICMS é a segunda maior influência, com 19%, seguido pela distribuição e revenda, que corresponde a 17,2%. O biodiesel e os impostos federais têm percentuais de 13% e 5,2%, respectivamente.
O diesel é o principal combustível utilizado no transporte de cargas no Brasil. Portanto, quando seu preço sobe, o custo do frete tende a aumentar, sendo repassado ao longo da cadeia produtiva. “Quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros efeitos apareçam no diesel”, afirmou Vinicios Fernandes, diretor de frete da Edenred Mobilidade.
Recentemente, os preços do petróleo dispararam devido ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, além do fechamento do Estreito de Ormuz, que é responsável por mais de 20% do comércio global de petróleo. O barril chegou a quase US$ 120, mas recuou para cerca de US$ 90 nos dias seguintes. Na quinta-feira, os contratos de abril do barril do Brent, referência internacional, voltaram a se aproximar dos US$ 100, com uma alta de mais de 7%.
A alta dos combustíveis pode refletir no consumidor através de produtos e serviços mais caros. Se os preços do petróleo se mantiverem elevados, outros efeitos econômicos podem surgir, como o aumento das taxas de juros. Rafael Figueiredo, estrategista de ações da XP, destacou que o desempenho da economia e da bolsa brasileira é mais favorável quando o barril está entre US$ 60 e US$ 70. Valores acima de US$ 90 ou US$ 100 podem piorar o desempenho econômico, pois o impacto inflacionário supera os benefícios da balança comercial.
Os efeitos de um petróleo mais caro por um período prolongado costumam aparecer primeiro no mercado financeiro, resultando em maior pressão sobre os títulos da dívida pública e manutenção de juros elevados. Na economia real, isso pode levar a crédito mais caro, menor geração de empregos e um crescimento econômico mais lento.


