O tabagismo no Brasil continua em queda, mas a desaceleração do ritmo pode comprometer a meta estabelecida para 2030. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, mostram que a proporção de fumantes nas capitais estaduais tem diminuído lentamente desde 2015.
Em 2006, cerca de 15,7% da população brasileira era fumante, enquanto em 2023 esse número caiu para 9,3%, representando uma redução média de 3,3% ao ano. Contudo, se essa tendência persistir, o Brasil pode alcançar uma prevalência de 7,96% em 2030, acima da meta de 6,24% definida no Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DANTs.
A médica Deborah Carvalho Malta, professora da UFMG e uma das autoras da pesquisa, aponta que a instabilidade política e as crises econômica e fiscal de 2015 e 2016 impactaram o financiamento de políticas sociais, incluindo as de saúde. Outros fatores que contribuem para a desaceleração incluem a falta de avanços regulatórios, o congelamento do preço dos cigarros entre 2016 e 2024 e o aumento da popularidade de dispositivos eletrônicos para fumar.
Os cigarros eletrônicos, que surgiram no início dos anos 2000, foram inicialmente projetados para ajudar na cessação do tabagismo, mas a indústria do tabaco investiu em marketing para torná-los atraentes, especialmente para os jovens. Um estudo de 2022 revelou que a prevalência de uso de produtos de tabaco entre adolescentes aumentou de 10,4% para 14,8% entre 2015 e 2019, impulsionada pelo uso de cigarros eletrônicos e narguilé.
Os riscos à saúde associados ao tabagismo incluem câncer de pulmão, boca e laringe, além de infarto e DPOC. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) registrou mais de 161 mil mortes no Brasil em 2020 devido ao tabagismo. A nicotina, presente no tabaco, é altamente viciante e seus efeitos prejudiciais não se limitam apenas aos usuários, mas também afetam fumantes passivos.
O impacto econômico do tabagismo é significativo, com um estudo do INCA indicando que o custo anual para os cofres públicos é de R$ 153,5 bilhões. Para enfrentar a desaceleração do controle do tabagismo, é fundamental retomar e fortalecer as estratégias antitabagistas, incluindo campanhas públicas, fiscalização rigorosa e combate ao contrabando.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito para quem deseja parar de fumar, com suporte psicológico e farmacológico, aumentando as chances de sucesso no abandono do cigarro.


