A Agência Nacional do Petróleo (ANP) visitou nesta quinta-feira (12) o sítio em Tabuleiro do Norte (CE), onde um agricultor pode ter encontrado um poço de petróleo enquanto perfurava o solo em busca de água. A família comunicou à ANP sobre o possível achado em julho de 2025.
A equipe da ANP, acompanhada por técnicos da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace), inspecionou o local e conversou com a família do agricultor Sidrônio Moreira, mas não coletou amostras. A ANP orientou que a área deve ser isolada e que os moradores evitem contato com o material, que pode ser arriscado.
A possível descoberta de petróleo já estava sendo investigada pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE). Testes laboratoriais indicaram que a amostra do líquido encontrado possui características físico-químicas semelhantes ao petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, no entanto, deve ser feita pela ANP.
““A ANP vai recolher as informações já obtidas pelo IFCE, e uma outra equipe deve voltar ao local para coletar amostras e realizar análises”, disseram os técnicos da ANP.”
A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024, quando Sidrônio Moreira perfurava o solo para abastecer seus animais. Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que um líquido escuro emergiu do buraco, inicialmente confundido com água.
Tabuleiro do Norte, localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, faz parte da região do Vale do Jaguaribe e está próximo à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo. Embora a localidade onde a substância foi descoberta não esteja inserida em nenhum bloco de exploração, está a apenas 11 quilômetros do bloco mais próximo.
A família e o IFCE procuraram a ANP em julho de 2025, mas a agência só se manifestou em 25 de fevereiro, informando que abriria um procedimento administrativo para investigar o caso, sem prazo definido para conclusão.
Enquanto aguarda a confirmação da ANP, a família de Sidrônio enfrenta dificuldades com o abastecimento de água. A propriedade não possui água encanada e, frequentemente, eles precisam comprar água de carro-pipa. Sidrônio pegou um empréstimo de R$ 15 mil para a perfuração do primeiro poço e já tentou furar um segundo poço, mas sem sucesso.
““O que a gente queria era água, né? O que a gente queria era solucionar o problema da água”, afirmou Saullo Moreira, filho de Sidrônio.”
As análises do IFCE e da Ufersa confirmaram que o líquido encontrado é um tipo de hidrocarboneto que se assemelha ao petróleo. A ANP deve iniciar uma série de procedimentos para averiguar as condições da área e a composição química do líquido.


